sexta-feira, 13 de junho de 2014

Livros para venda



Bom dia!

Como é de praxe, desculpo-me por meu sumiço aqui no blog. Definitivamente, a maneira mais fácil de me achar é Facebook, ou ainda o meu e-mail 

Bem, venho aqui reiterar que A Lenda de Fausto continua a venda, nas mesma condições de sempre (R$35,00 + frete grátis + dedicatória, se assim desejado), podendo o pagamento ser por transferência/depósito bancário ou boleto.

A novidade é que meu segundo livro está a venda também, Botos, Sátiros e Dragões. Para quem não sabe, esse segundo livro é um apanhado de contos e poesias e ilustrações sobre mitologias diversas. NÃO é yaoi (sorry, mas pense, sua mãe pode lê-lo sem sustos, hahaha). Eu vou fazer outro post sobre ele, para você saber do que se trata. Ele custa R$26,00, com frete grátis também, no mesmo esquema de A Lenda de Fausto.

O envio se dá pelos correios, registro módico, que demora em média 5 dias úteis.

Entãoooo... quem quiser, é só me mandar um e-mail  (samila.lages@ gmail.com) e escolher a forma de pagamento:

Eis os procedimentos para depósito em conta:

Fazer o depósito/transferência no banco Bradesco Ag:1300-5, CC:0005434-8 no valor de do livro.
Da mesma maneira, quem quiser pagar com boleto, mande um e-mail informando o mesmo, que eu lhe mando a cobrança por e-mail, do PagSeguro =D

Só isso, no dia seguinte à confirmação da transação eu já posto o livro.

É isso, qualquer dúvida, só mandar e-mail! Beijos, e fica o apelo:

Apoie a literatura nacional <3 p="">

33 comentários:

  1. Comprado \o/!!
    <33

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  2. O escritor Paulo Henrique Vieira convida você a conhecer seu mais novo livro: "Um Homem sem Chão". Você pode baixar os seis primeiros capítulos no blog: phdescritor.blogspot.com.br.

    Boa leitura!

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  3. Viviane
    • Este conto participou do 2º Concurso do Festival de Contos da Literarte – RJ

    Eram seis horas da manhã. Viviane acordara sonolenta, quando o alarme do telefone celular começou a tocar. Levantou-se nua da cama e foi até uma cadeira pegar sua roupa.
    “Mais um dia de labuta” – pensou consigo mesmo. – “Tenho que me arrumar rápido senão perco o ônibus”. Depois de vestida, foi até a cozinha tomar café. Quando chegou lá, constatou que havia os mesmos pães velhos do dia anterior. “Mamãe reclamou que não tivera dinheiro para comprar pão, tomara que tenha café” – pensou com seus botões.
    Porém, quando verificara a lata de café, a mesma estava vazia. Teria que ir para o trabalho com a barriga vazia. “Vida de pobre é foda” – disse de si para consigo. Colocou a vasilha no lugar, passou pela sala e foi até a porta. Transpôs a mesma e adentrou o quintal da casa. As estrelas cintilavam no céu, ainda era noite. Destrancou o portão e ganhou a via pública.
    Caminhou até o ponto de ônibus e ficou esperando o coletivo. Deve ter esperado cerca de meia hora, até que o veículo virou a esquina. O ônibus parou no ponto e ela adentrou o mesmo.
    O ônibus se encontrava quase vazio. Naquele momento ele era ocupado pelos primeiros trabalhadores que iam para seus trabalhos. Pelo caminho ela observava as casas e os edifícios. A cidade ainda dormia.
    Ela ficou pensando em sua vida. Não pudera terminar os estudos, pois quando arranjara o emprego, ficava muito tarde para ela estudar, pois levantava muito cedo. Pensava que aquele emprego permitia que ela ajudasse os pais, porém o mesmo era representado pela exploração e pela opressão.
    Não gostava de sua patroa. Ela só sabia censurar-lhe a conduta e o serviço que ela fazia. “Como é difícil conviver com os outros” – pensava interiormente – “aquela coquete nunca trabalhou e não sabe fazer outra coisa além de me criticar”.
    Uma lágrima escorreu por suas faces. Pensava que o outro podia ser bem ruim quando ele queria. Mas espantou todos aqueles pensamentos, dizendo para si mesma que tempos melhores viriam.

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  4. O ônibus adentrava a rua em que a patroa morava. Levantou-se, deu o sinal, cumprimentou o motorista e desceu.
    Pegou o molho de chaves e abriu a porta. A casa estava no mais completo silêncio. Foi para a cozinha, tinha que fazer café para os filhos do casal que estudavam cedo.
    Colocou a água na cafeteira, pegou um dinheiro que estava em cima da mesa e foi até a padaria comprar pão. Quando lá chegou, o balconista fez festa. Ele era gamado em Viviane fazia um bom tempo. Ficava cantando a moça, mais Viviane não sentia atração física por ele.
    - Oi minha linda! – exclamou com a fala macia.
    - Oi – respondeu seca.
    - Hoje você está mais bonita que ontem – disse fixando seus olhos nos olhos dela.
    Ironicamente, Viviane retrucou:
    - São seus olhos – disse sorrindo. Pegou o pão e se pôs de volta à casa dos patrões. Voltou à cozinha e foi colocar pó na cafeteira.
    Quem acordou primeiro foi Jhonatan. Aquele dia ele estava especialmente irritado. Não pudera ir até um bar com os amigos na noite anterior, pois tinha que levantar cedo. Ele entrou na cozinha e fingiu que não viu Viviane.
    Aquilo machucava a moça. Ela tinha 20 anos e o rapaz 16 e sentia uma intensa atração física por ele. Naquela manhã, ele estava sem camisa, onde Viviane ficou contemplando aquele peito cabeludo.
    “Eu tenho peito, tenho bunda, será que ele nunca percebeu isso?” – se perguntava a doméstica naquele momento. Ela estava perdida nestes pensamentos, quando a irmã do rapaz adentrou a cozinha para tomar água.
    - Bom dia Viviane! – disse risonha.
    - Bom dia Bianca – respondeu Viviane cordialmente – hoje você pulou da cama – observou.
    - Tem que ir para a escola, não é? – interrogou a moça – ainda bem que amanhã é sábado. Disse estas palavras e foi para o banheiro tomar um banho.
    Viviane então foi servir a mesa. Colocou a garrafa de café e os pães em cima de uma toalha. Ficou pensando em Jhonatan e de como ele podia desprezá-la tanto. Também conjecturou que um estudante de classe média jamais quereria alguma coisa com uma empregada doméstica. Naquele momento pensava na questão das classes sociais.

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  5. Os dois estudantes se sentaram à mesa e começaram a tomar café. Viviane aproveitou para tomar o seu escondido – já que a patroa não gostava que ela comesse na casa deles – já que não havia nada em casa para comer.
    Os dois estudantes então saíram para a garagem. Adentraram o veículo da família e se puseram em direção à escola. Viviane estava sozinha. Sentiu vontade de assistir televisão, mas se lembrou que a patroa não gostava que ela mexesse nos aparelhos eletrônicos da casa. Ficou então na cozinha pensando na sua vida de mulher pobre.
    Passou-se uma hora. Viviane estava na cozinha esperando que os patrões acordassem para tomar café. De repente, o marido de Fernanda adentrava a cozinha atrás dela. Ele cheirava-lhe o cangote e ela reclamava daqueles carinhos. Quando viram Viviane, os dois a olharam por alguns instantes, porém fingiram que ela não estava ali e o marido voltou a fungar-lhe o cangote. Ele parecia gostar que Viviane visse aquelas efusões afetivas. Ele então colocou a mão na bunda da mulher, no que ela lhe disse que mantivesse o respeito na frente de uma pessoa estranha. O homem reclamou da admoestação da esposa e foi para o quarto resmungando.
    - Hoje nós temos que conversar – disse Fernanda com ira na voz – uma calcinha minha sumiu e eu quero conta dela – finalizou virando-se e indo para o quarto.
    Viviane pensou que aquele dia seria de grandes humilhações. A patroa sempre insinuava que ela havia pegado esta ou aquela roupa íntima sua. Viviane sentiu vontade de chorar. Lembrou-se de seus pais e de como eles a haviam ensinado a não pegar nada de ninguém.
    Depois de cerca de meia hora o casal se sentava à mesa do café. Ele reclamava do preço da conta de energia elétrica; ela lhe cobrava dinheiro para colocar luzes no cabelo.
    - Você parece uma modelo – reclamava com a cara irritada – desse jeito você vai ter que começar a trabalhar para pagar seu cabeleireiro e sua manicure.
    - De jeito nenhum meu bem – redarguiu irônica – minha missão é cuidar de nossos filhos, aqui quem tem que trabalhar é você.
    Os dois ainda discutiram algumas coisas sobre dinheiro, no que ele levantou-se e foi até a garagem ligar seu carro. Fernanda deu graças a Deus de ter-se livrado do marido. Levantou-se da mesa do café e foi até a sala ligar a televisão.

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  6. Depois que acabou de assistir televisão, Fernanda foi até a cozinha conversar com Viviane. – Uma calcinha minha sumiu, foi você que pegou? – indagou com desprezo na voz.
    - Não senhora – respondeu rápido Viviane – eu não pego nada de ninguém.
    - Então como foi que ela sumiu? – tentava colocar-lhe na parede a mulher, cuja irritação crescia visivelmente.
    - Veja com a lavadeira – sugeriu Viviane – ela é que lava as roupas, então ela é que deve saber.
    - Já estou cansada das coisas sumirem aqui em casa e você dar uma de anjinho – disse fixando-lhe o olhar. Fernanda estava vestida com uma camisola transparente, que lhe realçava os volumosos seios.
    - O que a senhora quer que eu faça? – perguntou em tom desafiador.
    - Eu quero que você vá embora desta casa – gritou a mulher – estou cansada de você e dos seus roubos.
    Viviane começou a chorar, mas sua dor era indiferente à patroa.
    - A senhora pode acertar o que deve comigo? – perguntou a moça chorosa.
    - Eu não te devo nada – disse colérica – roubo é justa causa.
    Viviane então pensou na crueldade daquela mulher, que demonstrava não ter quaisquer sentimentos pelo seu semelhante.
    Ela pegou suas coisas e passou indiferente pela patroa. Saiu da casa soluçando. Como aquela mulher podia acusar-lhe de roubo, ela que nunca tinha pegado nada de ninguém?
    Ficou no ponto de ônibus esperando o coletivo. Estava destruída por dentro. E agora, como ela faria para ajudar os pais? – interrogava a si mesma. Na sua casa estava faltando comida e agora ela não tinha emprego. Pensava que podia ter se humilhado para a patroa, mas recordou-se que aquela mulher não merecia aquilo.
    A doméstica observava o movimento dos carros, as casas e os edifícios. Decidiu-se que voltaria a estudar, pois só o estudo poderia dar-lhe uma vida melhor. Mesmo que para isso ela tivesse que passar fome. Recordou-se que a escola oferecia lanche, aonde poderia forrar o estômago. Mas e os pais? – se perguntava interiormente.
    Naquele momento, a moça pensava o quão dura era a vida dos trabalhadores brasileiros. Além de se ganhar um salário de fome, milhares de pessoas ainda tinham que passar pelas mais diversas humilhações de seus patrões Brasil afora. Isso era o ser humano – pensava consigo mesma.

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  7. TOC

    • Este conto participou do concurso “Um conto e um ponto” – RJ

    O relógio da parede assinalava vinte e uma horas. Podia-se ouvir no ambiente suave música clássica emitida pelas caixas de som do kit multimídia de um computador. Da janela de grande sala, chegava ao interior do recinto uma amálgama de sons que se confundiam entre o barulho de carros, motos, ruídos de vozes entrecortadas, latidos de cães e o som fugidio de músicas, que se podia deduzir advindo do interior de veículos que passavam pela avenida que havia logo em frente.
    No teto da sala havia uma luminária com duas lâmpadas, que difundia por toda ela uma luz fluorescente muito alva, o que indicava que a pessoa que ali residia era afeita ao hábito da leitura, pela boa iluminação que o local dispunha.
    Havia também um jogo de sofá de cor bege quase na entrada da porta; no chão ao lado do sofá havia um cesto onde estavam empilhados jornais e revistas; mais ao canto encontrava-se um barzinho com várias garrafas de bebida enfileiradas, onde se podia encontrar vinhos, uísques e vodcas; no centro da sala havia uma grande mesa com vários livros empilhados uns sobre os outros.
    Defronte a um computador, podia-se divisar a figura de um homem que aparentava cerca de trinta anos. Seu nome era Miguel e parecia digitar algo num editor de textos. O mesmo estava sozinho – mas se alguém pudesse observá-lo – notaria que o comportamento de nossa personagem era no mínimo estranho.

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  8. Em intervalos de tempo mais ou menos curtos, interrompia a digitação do texto abruptamente, no que deletava com a tecla tecla back space o que já havia sido escrito, para digitar tudo novamente; ao lado da mesa do computador havia um calhamaço de folhas que consultava em pequenos lapsos de tempo e que pareciam conter dados estatísticos, estranhamente Miguel lia uma página e parecia cumprir um ritual de ter que lê-la várias vezes seguidas; de momento em momento olhava para o celular com o intento de saber as horas, mas a ação se repetia tantas vezes, que nosso interlocutor não parecia acreditar no que o visor do telefone lhe informava. Todas essas ações as fazia repetidas vezes e lhe pareciam causar grande desconforto.
    Parecendo não suportar mais aquele estado, Miguel parou de digitar o texto, salvando o arquivo e, levantando-se da cadeira, caminhou até a janela de onde se podia ouvir o barulho das ondas quebrando nos rochedos.
    Era a praia de Ipanema. De olhos fechados, com a face suarenta, Miguel parecia sorver todo o frescor daquela brisa marítima. Passados alguns minutos – em que parecia mais aliviado – o mesmo pegou o celular do bolso da camisa e fez uma ligação.
    Ligava para Fernanda, moça que morava na Barra da Tijuca e com quem Miguel já se relacionava há alguns meses. Depois de duas ou três chamadas, a pessoa do outro lado da linha atendeu.
    - Alô... – Atendeu Fernanda.
    - Oi Fernanda! – respondeu Miguel – será que podia te ver hoje?

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  9. - Claro, amor... Estava aqui deitada lendo um livro, pode vir que estou te esperando!
    - Está bem, daqui mais ou menos quarenta minutos estou aí... Beijos!
    - Beijos! - Respondeu Fernanda desligando o telefone.
    Depois de desligar o telefone, Miguel então foi se arrumar. Fernanda além de namorada, era uma espécie de confidente com quem desabafava suas “pirações”. A bem da verdade, nem sempre a moça conseguia compreender muito bem o que ele lhe relatava, mas não se importava de nestas horas fazer às vezes de “psicóloga”.
    A angústia e o desconforto que Miguel sentia naqueles momentos, quase que o obrigavam a buscar a companhia de alguém para desabafar, e Fernanda entendia isto como ninguém.
    Desligou o computador; foi até o barzinho e se serviu de um copo de vinho; depois caminhou até o banheiro onde passou uma água no rosto, encheu a tampa do vidro de enxaguante bucal para fazer um gargarejo, penteou os cabelos e passou perfume.
    Findo os cuidados com a aparência, passou pela sala, pegou a carteira e as chaves do carro que estavam em cima da mesa, apagou as luzes e ao fechar a porta da sala, se dirigiu até o elevador que o levaria até a garagem do edifício.
    Passados alguns minutos, encontrava-se Miguel dentro do seu carro em direção à Barra da Tijuca. Enquanto dirigia pela Avenida Niemeyer, pensava um pouco em tudo aquilo que estava acontecendo em sua vida.
    Já havia ultrapassado a “casa” dos trinta, mas aquele transtorno que sentia havia começado bem mais cedo, quando contava ainda onze ou doze anos de idade. Primeiro eram as idéias fixas, negativas, quase que intrusivas mesmo a lhe infernizar o íntimo. Alguns anos mais tarde, começariam os rituais: amarrar e desamarrar o cadarço do tênis várias vezes; se ver em um ambiente e de repente se deparar contando os azulejos das paredes; lavar excessivamente as mãos.

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  10. No começo não sabia como classificar aquilo; a idéia de que tivesse algum transtorno mental apavorava-o imensamente, por isso jamais confidenciara o que sentia aos seus pais, irmãos ou amigos. Acreditava que tudo aquilo não passava de “manias” ou qualquer coisa parecida, menos loucura.
    Já com quase dezoito anos, quando ingressara na universidade, resolvera então procurar um psiquiatra e relatar-lhe todos aqueles sintomas que o incomodavam. O diagnóstico do profissional revelou ser ele portador do transtorno obsessivo compulsivo, ou TOC, terminologia também adotada pela especialidade.
    O médico disse-lhe ainda que poderia amenizar o desconforto de todos aqueles pensamentos intrusivos e rituais com a conjugação de fármacos e psicoterapia.
    Desde então Miguel trilhara um árduo caminho de terapias, psicotrópicos e leituras, que lhe acenava a tão sonhada cura e a tranqüilidade psíquica que almejava. Mas tudo em vão. É bem verdade que louco nunca ficara, nunca tivera nenhuma espécie de surto e aos olhos do mundo parecia uma pessoa normal como qualquer outra, mas hoje o TOC de Miguel evoluíra tanto que o mesmo se encontrava contando quantas letras as palavras possuíam, não pensando mais por imagens, e sim por palavras.

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  11. Todas estas reflexões foram interrompidas quando avistou a Praça do Ó, já no bairro da Tijuca. Do interior do veículo pôde avistar a moça dependurada na sacada de seu apartamento no 3º andar. Estacionou o carro, atravessou a rua e após ser identificado na portaria, subiu até o seu encontro.
    Depois de tocar a campainha por duas ou três vezes, Fernanda abriu a porta da sala. Ao ver a moça, Miguel por alguns instantes esqueceu tudo aquilo que o atormentava.
    Fernanda parecia-lhe imensamente bela aquela noite. Antes de adentrar porta adentro – numa rápida olhadela - contemplou-lhe a imagem da cabeça aos pés.
    A moça trazia um sorriso simpático aos lábios que, pintados com um batom vermelho, realçava ainda mais o viço daqueles beiços carnudos; os pequeninos – mas penetrantes – olhos negros traziam um brilho de contentamento e voluptuosidade; os longos cabelos castanhos escorriam-lhe pelos ombros, chamando a atenção para a mini-blusa que destacava a proeminência dos seios e deixava à mostra o abdômem nu; podia-se ainda observar o torneado das pernas bronzeadas metidas dentro de pequeno short.
    Ao Miguel entrar, ambos trocaram um beijo na boca, onde o rapaz jogou a chave do carro em cima de pequena mesa posta ao centro da sala, se atirando no sofá.
    - De novo aquelas idéias meu amor?! – Interrogou Fernanda entre a curiosidade e a perplexidade.
    - De novo Fernanda... – desabafou Miguel com um suspiro. Não aguento mais tantas idéias fixas, tantos rituais, ficar pensando tantas coisas sem sentido!

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  12. - Meu amor – principiou a dizer a moça, sentando-se no sofá com os joelhos dobrados – por que você fica pensando todas essas coisas sem nexo?
    - Não sei amor, não consigo me controlar – respondeu afagando-lhe uma das mãos, levando-a até a boca, onde ficou a beijá-la em pequenos intervalos.
    - Para te dizer a verdade – continuava a moça – nunca consegui compreender muito bem a natureza destas tuas idéias fixas ou negativas, como tu mesmo gosta de chamá-las.
    Miguel olhou para a moça por alguns instantes, onde a mesma prosseguiu:
    - Mas não te parece que apenas o que é racional é real? – finalizou com certa inflexão na voz.
    - Sim, minha razão corrobora teu raciocínio... Porém, tais idéias me provocam um desconforto tão grande, um sentimento de ansiedade que não consigo controlar, um estado depressivo que literalmente me “derruba”.
    - Ora, Miguel – respondeu afagando-lhe os cabelos – está na hora de você dar um basta em tudo isto... Seja senhor da sua mente!
    E, levantando-se, puxou-o até a sacada do apartamento. Dali podiam observar o luzir dos diversos edifícios e casas ao redor.
    - Meu amor, quanta coisa maravilhosa nos oferece a vida! – exclamou circunvagando os olhos pela parte da cidade do Rio de Janeiro que podiam contemplar naquele momento.
    - Observe a beleza da noite, o brilho das estrelas... Pense um pouco em nós dois – disse achegando o busto ao peito do moço – tente não ficar se martirizando por coisas ou idéias que simplesmente não existem no mundo concreto.

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  13. Imprimindo significativa pausa à sua fala - no que Miguel aproveitou para ir buscar com os lábios a pele de seu pescoço – continuou:
    - Se você quer realmente ficar comigo, não quero mais saber desse assunto. Afinal de contas, tu mesmo não dizes que nosso amor é capaz de mitigar todos os contratempos e amarguras da vida?
    - É verdade Fernanda! – concordava o rapaz enquanto acariciava-lhe os cabelos – tenho sido um fraco; devia pensar mais na afeição que sentimos um em relação ao outro.
    - São coisas assim que quero ouvir dessa boca... Vamos entrar? – Inquiriu com um sorriso nos lábios.
    Os dois namorados então retornaram ao interior da sala, onde Fernanda fechou a porta que dava acesso à sacada do apartamento. Pediu que o moço aguardasse ali, pois iria à cozinha buscar uma cerveja.
    Depois de alguns minutos, voltava ela com uma garrafa de Antarctica às mãos e dois copos. Serviu Miguel – servindo-se também - e colocou a garrafa em cima da pequena mesa.
    Ficaram então a conversar trivialidades que haviam se passado naquele dia. Miguel relatava-lhe que a análise que a fundação para a qual trabalhava havia encomendado, estava quase concluso; tratava-se de um estudo sobre a inserção do negro no mercado de trabalho do Rio.
    Fernanda, por sua vez, foi lhe contar o que havia se sucedido durante o dia na boutique. Relatou-lhe o pouco movimento do comércio; o seu desconforto em ter que conviver com uma colega de trabalho que lhe tinha aversão; os comentários de algumas funcionárias sobre outra que tinha se separado e as especulações sobre os reais motivos da separação.

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  14. Os dois riam; se acariciavam; trocavam comentários sobre assuntos diversos, de tal forma que se aquele leitor do início da narrativa pudesse observar Miguel agora, notaria a fisionomia de uma pessoa transformada; feliz da vida; radiante de alegria em razão da companhia de que privava.
    Durante aqueles momentos – entre um comentário, beijo ou risos outros – Miguel guardava a impressão em seu íntimo de que a felicidade era um estado de consciência e de que não importa tanto o caráter negativo de uma idéia ou preocupação, mas sim a importância de que damos a elas.

    phdescritor.blogspot.com.br

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  15. Resolvi bater na porta. Dei três toques e esperei por alguns instantes. Como não recebi resposta bati de novo, repetindo aquela minha ação por alguns minutos – nos quais ninguém atendeu – onde comecei a ficar ensimesmado dado a minha impaciência e ansiedade diante daquela singular situação em que me encontrava.
    Porém, nada. Depois de bater por uns dez minutos, continuei sem receber resposta alguma. A rua estava completamente erma, não havia vizinhos nem de um lado nem de outro do casarão. Já estava começando a ficar assustado e decidi sair dali imediatamente, quando tive a idéia de antes rodar a maçaneta da porta. Quando fiz isto, para minha surpresa constatei que a mesma estava aberta!
    Tudo aquilo começava a me deixar receoso, mas impelido pela curiosidade e pelo espírito de aventura resolvi entrar e desvendar aquilo que já parecia um mistério.
    O interior da casa era ricamente mobiliado e o morador demonstrava ter muito bom gosto. A sala era iluminada por um grande candelabro e havia uma escada que deveria subir para o andar superior do casarão, onde eu havia visto luz acesa. Como eu já esta ali mesmo, resolvi subir a escada, não sem antes pegar um castiçal que estava sobre uma mesa, caso precisasse me defender de alguém ou fosse surpreendido por uma situação inesperada.
    Comecei a subir a escada, que era em forma de caracol e me deparei com um grande corredor fracamente iluminado, onde no final eu podia distinguir uma luz mais forte, que deveria ser a da janela que eu observei da rua.
    Comecei então a me dirigir para lá, e enquanto me aproximava da porta de onde saía à iluminação mais forte, notei que alguém trabalhava em alguma coisa, pois podia ouvir o barulho de ferramentas. Sorrateiramente esgueirei à cabeça para dentro do recinto e então vi uma espécie de cabine de metal que estava sendo reparada por um ancião de grandes barbas brancas, que parecia bastante compenetrado no trabalho que fazia.

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  16. Como eu já estava ali e não havia como ir embora sem antes me apresentar e explicar o motivo de minha presença no recinto - pois já me encontrava dentro da sala e se tentasse sair certamente seria notado - me dirigi ao velhinho nestes termos:
    - Boa noite! - desculpe-me a intromissão, mas não encontrei nenhuma campainha e ao bater na porta ninguém respondeu. Como vi que esta estava aberta, tomei a liberdade de entrar.
    O Ancião parou de fazer os reparos na estranha cabine e não parecendo surpreso, disse-me em tom amistoso:
    - Não se preocupe meu filho – obtemperou sorrindo - eu costumo esquecer a porta aberta mesmo, seja bem vindo!
    Certamente por sua idade avançada e por talvez não possuir nenhum parente, aquele senhor se encontrava naquele ostracismo.
    - Mas o senhor não acha perigoso deixar a porta aberta? E por que não há campainhas?
    - A cidade é bastante calma meu jovem – respondeu o velhinho convicto - não oferecendo tantos perigos assim; e não tenho campainha, pois quase não recebo visitas, pois nos últimos dez anos estou envolvido no meu projeto que finalmente estará pronto hoje.
    - Que projeto seria aquele a que ele se referia? – pensei comigo mesmo - seria aquela cabine em que ele trabalhava?
    Parecendo adivinhar meus pensamentos, o velhinho prosseguiu dizendo:
    - Esta cabine que você está vendo, me consumiu noites e noites insones, nas quais trabalhei incansavelmente para que ficasse finalmente pronta.
    - E o que esta cabine faz? – indaguei curioso.
    - Esta cabine é uma máquina do tempo, que permite se regredir no tempo e no espaço, permitindo ao homem viajar tanto para o passado quanto para o futuro.
    Diante daquela resposta, duvidei da sanidade mental do meu interlocutor, certamente afetada por tantos anos de reclusão naquela casa e fiz força para não rir.

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  17. Parecendo ainda adivinhar a incredulidade impressa no meu semblante, o ancião proferiu:
    - Pode ser meio difícil de acreditar, e certamente você deve estar julgando-me um maluco, mas a máquina do tempo está pronta e como alguém tem que monitorar a viagem de quem irá experimentá-la, e só eu sei fazer isto, você não gostaria de testar meu invento?
    - O quê? - o senhor quer que eu viaje no tempo? – inquiri surpreso.
    - E porque não? - garanto-lhe que será a experiência mais emocionante de toda sua vida!
    Confesso que a idéia me seduziu, pois sempre tivera vontade de conhecer a França do século XVIII, e além do mais não teria nada a perder satisfazendo a vontade do velhinho, pois eu mesmo só acreditaria naquilo, quando realmente constatasse a veracidade da invenção.
    - Pois muito bem, eu aceito senhor..., a propósito, qual o seu nome? Nem nos apresentamos – observei cerimonioso.
    - Meu nome é Getúlio e o seu meu jovem?
    - Me chamo Bruno e estou na cidade há poucos dias.
    - Pois muito bem Bruno, antes de você viajar na cabine do tempo preciso lhe dar algumas instruções. Entre aqui e examine-a por dentro.
    Dentro da cabine havia um painel, onde havia dois displays: um que indicava a data atual e outro que se programava a data para onde se queria ir.
    - Você quer ir para o passado ou para o futuro? – indagou Getúlio visivelmente emocionado, ao me apresentar o seu invento.
    - Gostaria de ir para a França, para a cidade de Paris... O ano pode ser... Deixe-me ver... Que tal 1789, ano da Revolução Francesa?
    - Perfeito! - pois muito bem Bruno, mas antes você precisa de uma vestimenta mais adequada para a viagem que empreenderá. Aguarde um pouco, enquanto vou ali buscar uma roupa mais apropriada para a época para a qual você vai.
    Getúlio saiu do quarto e depois de alguns minutos voltou com uma calça, uma camisa curta com uma casaca de abas largas, uma capa preta, um chapéu com uma pluma branca e um par de sapatos com fivelas, que constituíam uma vestimenta bem adequada para a época.
    Vesti o traje rapidamente e então Getúlio me disse:

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  18. - Monitorarei a viagem daquele aparelho – proferiu apontando-me uma espécie de computador - no display da cabine há um visor que caso necessite, transmitirei alguma mensagem para você.
    Getúlio programou o ano de 1789 no display da cabine do tempo e me disse que não me preocupasse, pois no outro display já estava ajustado o retorno para o ano em que nos encontrávamos. Despedimo-nos e então adentrei a cabine do tempo.
    A ansiedade tomava conta de mim, uma luz verde se acendeu no painel indicando que Getúlio já havia acionado a engenhoca. Comecei a sentir um estremecimento por todo o corpo, parecia que todas as minhas moléculas começavam a se agitar, dando-me a impressão que iria desintegrar. Sentia-me viajando pelo tempo e via imagens mentais de épocas anteriores a atual, numa velocidade extraordinária. Depois caí numa espécie de entorpecimento, não sabendo dizer quanto tempo permaneci assim. Quando despertei estava dentro da cabine e no painel havia uma mensagem de Getúlio que dizia:
    - Demore o mais tardar até o amanhecer, pois é o primeiro teste da máquina do tempo e não sei avaliar ainda sua confiabilidade, uma vez que qualquer erro que aconteça pode deixar você preso no passado.
    Prestei atenção no recado, aproveitei para fazer alguns ajustes na roupa e então abri cautelosamente a porta da cabine.
    Quando saí da mesma e pude constatar o que se apresentava diante de meus olhos, fiquei estupefato. Era noite e eu realmente estava em Paris! Podia vislumbrar todas aquelas construções magníficas, que me davam à impressão de estar dentro das páginas de algum livro de história ou fazer parte do cenário de algum filme épico.
    Getúlio então não era um louco, realmente o homem podia viajar no tempo, afinal ali estava eu em pleno século XVIII. A noite estava linda, a abóbada celeste estava repleta de estrelas e parecia que havia alguma solenidade num grande casarão ali próximo, pois era grande a movimentação de carruagens em frente ao local.
    Lembrei-me do perigo de alguém ver a cabine e inquirir sobre a sua significação, podendo chamar alguma autoridade local. Porém, a mesma havia ficado atrás de uma árvore, onde não havia quase que iluminação alguma, já que a iluminação local era feita por lanternas - dotadas de um disco atravessado por um pavio colocado no óleo – de onde se obtinha uma claridade mortiça. Ademais, me demoraria ali só enquanto perdurasse a madrugada, me lembrando da admoestação de Getúlio.

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  19. Apesar de ser noite, a movimentação nas ruas parecia ser intensa. Resolvi percorrer aquelas ruazinhas estreitas com seus calçamentos de pedra, para poder melhor observar o ambiente.
    Nas portas das casas, das sacadas dos casarões, as pessoas se reuniam em debates acalorados. Vez por outra, um ou outro transeunte passava por mim e parecia fitar-me com olhar de curiosidade e desconfiança. O clima parecia de tensão e expectativa.
    - Mas é claro! - exclamei de mim para mim mesmo. Estava em curso a Revolução Francesa! Naquele momento fiquei curioso quanto a saber que dia era aquele, afinal Getúlio só havia programado o ano para o qual eu iria. E o dia? Que dia do mês seria aquele? E será que a máquina do tempo havia realmente me transportado para o ano de 1789?
    Mas como obter resposta àquelas indagações? Certamente se eu parasse alguém na rua para perguntar o dia e o ano em que me encontrava, me haveriam por algum lunático.
    Neste momento, o sino de uma igreja começava a soar, no que pude contar doze badaladas, que anunciavam o início da madrugada.
    Estava absorto em minhas reflexões, quando uma jovem em carreira desabalada chocou-se contra mim. A força do impacto precipitou seu corpo contra meu peito, onde lhe segurei o tronco para que não fosse de encontro ao chão.
    Ela então procurou se recompor, ajeitando as abas do vestido, quando ao levantar o rosto, pude perceber o quão era bela. Levava ao pescoço um lenço vermelho, uma touca emoldurava-lhe a grande cabeleira loira, sua tez era de uma brancura que mais lembrava o alvor dos seres angélicos retratados pelos pintores renascentistas, dois grandes olhos brilhantes e azuis emprestavam-lhe beleza e graça ao semblante de menina.
    - Obrigada monsieur – respondeu entre ofegante e assustada.
    - Não há de que mademoiselle - respondi prontamente – mas parece até que a senhorita foge da polícia? – observei irreverente.

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  20. - Na verdade monsieur – continuava sôfrega – estou sendo perseguida pela guarda palaciana, numa estória que não há tempo para contar em detalhes agora, neste momento preciso de vossa ajuda, pois corro perigo de vida!
    Surpreso e atônito diante daquelas palavras, tentava naquele momentâneo lapso de tempo entre sua confissão e o conhecimento que tivera de sua situação, pensar em alguma coisa que pudesse ajudá-la, quando ouvimos a aproximação de passos em marcha e o tilintar de espadas.
    - Escute – disse fixando-lhe os olhos – pelo barulho parecem já estar bem próximos, dirijamo-nos para ali – proferi apontando para a soleira da porta de uma das casas da rua aonde a iluminação era quase que inexistente.
    Corremos então para o local indicado e quando os guardas viraram a esquina, transpondo a rua onde estávamos, tentei aparentar que éramos um casal que chegava em casa, estreitando-a nos braços e beijando-lhe os lábios carnudos.
    O beijo se prolongou até que o barulho da marcha já se fizesse distante, onde ao virar a cabeça e dar uma olhadela, pude verificar que nos safáramos daquela situação.
    Ao desvencilhá-la de mim, pude perceber que o rubor de suas faces denunciava que aquela situação há havia deixado um pouco desconcertada. Procurando se refazer, disse ela em tom cerimonioso:
    - Obrigada... Acho que devo-te a própria vida – falou com o olhar agradecido.
    - Não tem de que mademoiselle... A propósito, qual é mesmo seu nome?
    - Me chamo Flavie - disse estendendo a destra para que eu a beijasse - e o seu? – perguntou enternecida.
    - Meu nome é Bruno – respondi enquanto observa-lhe a graça dos gestos e a maneira de ser que a caracterizava.
    - Bom, acho que é melhor que saíamos daqui rumo a algum lugar mais seguro.
    - Sim você tem razão – respondeu enfática – dê-me o braço para que pareça que estamos juntos.
    Dei-lhe o braço e então saímos a andar pelas ruas de Paris.

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  21. - Na verdade monsieur – continuava sôfrega – estou sendo perseguida pela guarda palaciana, numa estória que não há tempo para contar em detalhes agora, neste momento preciso de vossa ajuda, pois corro perigo de vida!
    Surpreso e atônito diante daquelas palavras, tentava naquele momentâneo lapso de tempo entre sua confissão e o conhecimento que tivera de sua situação, pensar em alguma coisa que pudesse ajudá-la, quando ouvimos a aproximação de passos em marcha e o tilintar de espadas.
    - Escute – disse fixando-lhe os olhos – pelo barulho parecem já estar bem próximos, dirijamo-nos para ali – proferi apontando para a soleira da porta de uma das casas da rua aonde a iluminação era quase que inexistente.
    Corremos então para o local indicado e quando os guardas viraram a esquina, transpondo a rua onde estávamos, tentei aparentar que éramos um casal que chegava em casa, estreitando-a nos braços e beijando-lhe os lábios carnudos.
    O beijo se prolongou até que o barulho da marcha já se fizesse distante, onde ao virar a cabeça e dar uma olhadela, pude verificar que nos safáramos daquela situação.
    Ao desvencilhá-la de mim, pude perceber que o rubor de suas faces denunciava que aquela situação há havia deixado um pouco desconcertada. Procurando se refazer, disse ela em tom cerimonioso:
    - Obrigada... Acho que devo-te a própria vida – falou com o olhar agradecido.
    - Não tem de que mademoiselle... A propósito, qual é mesmo seu nome?
    - Me chamo Flavie - disse estendendo a destra para que eu a beijasse - e o seu? – perguntou enternecida.
    - Meu nome é Bruno – respondi enquanto observa-lhe a graça dos gestos e a maneira de ser que a caracterizava.
    - Bom, acho que é melhor que saíamos daqui rumo a algum lugar mais seguro.
    - Sim você tem razão – respondeu enfática – dê-me o braço para que pareça que estamos juntos.
    Dei-lhe o braço e então saímos a andar pelas ruas de Paris.

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  22. - Bruno... Acho que lhe devo algumas explicações – disse Flavie algo tímida.
    - É... Respondi um pouco sem jeito. Não entendi nada daquilo que aconteceu. Aliás, Flavie, não me pergunte por que, mas que dia e ano nos encontramos?
    Estampando estranheza no semblante diante daquela pergunta, Flavie respondeu algo perplexa:
    - 14 de julho de 1789, mas afinal por onde você tem andado? – indagou irônica.
    Antes de responder a pergunta, me lembrei das aulas de história e constatei que estávamos na madrugada do dia em que a Bastilha seria tomada pela população de Paris, marcando o início da Revolução Francesa. Daí toda a agitação que notava nas ruas – pensava comigo mesmo.
    Sustando minhas cogitações, Flavie continuou:
    - Pois bem – principiava a moça – nos dois últimos séculos tem convivido na França dois modos de vida completamente distintos: de um lado a corte real, onde em meio a festas e cerimônias luxuosas, vive o rei cercado pela nobreza, que apesar de representarem uma pequena parcela da população francesa, controlam a política e são isentos de impostos.
    “Do outro lado estamos nós: camponeses, pequenos comerciantes, artesãos e assalariados, carregando nas costas com nosso trabalho o rei, a nobreza e o clero, através do pagamento de pesados impostos”.
    “Os gêneros alimentícios – continuava ela - como pão, leite, legumes, verduras, queijo e frutas sofrem altas constantes, o que torna cada vez mais difícil a sobrevivência da população”.
    “Desde o início do século, camponeses tem promovido rebeliões que em sua maioria foram esmagadas pelo exército. Agora, de uns tempos para cá, todas estas classes excluídas do poder - sob a influência da burguesia - tendem a se juntar contra um inimigo comum: o governo absolutista e promover a revolução”.
    - Entendo Flavie – ponderei ao escutar atento aquelas palavras – e a revolução já começou?

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  23. - Por toda França explodem revoluções; camponeses invadem castelos da nobreza, saqueando-os; os habitantes das cidades participam da tomada de prédios públicos e mesmo lincham algumas autoridades.
    - E por que aqueles guardas estavam atrás de você? – indaguei curioso.
    - Porque faço parte de um grupo revolucionário, a exemplo da centena deles que existem hoje na França – e parecendo tomar fôlego, continuou: – eu e meu grupo estávamos reunidos numa taberna, quando a guarda palaciana chegou dando voz de prisão a todos.
    “Alguns companheiros desembainharam as espadas e principiou-se um confronto, onde eu e outros conseguimos nos evadir. Daí ter quase derrubado você, enquanto corria pelas ruas buscando me esconder dos guardas”.
    - Sua estória parece até de cinema! – exclamei me esquecendo que o mesmo ainda não havia sido inventado.
    - Ci... o quê? - perguntou Flavie não entendendo o significado do que eu havia dito.
    - Esqueça o que falei Flavie... – respondia sem querer me adentrar em explicações mais detalhadas, quando ouvimos um grito:
    - Lá está ela! - gritava um dos guardas do regimento palaciano apontando para Flavie.
    Imediatamente nos colocamos em fuga precipitada pelas ruas, me lembrei que passávamos em frente ao casarão onde ao descer da máquina do tempo, estava havendo uma solenidade.
    - Vamos entrar naquela festa – disse para Flavie apontando o casarão – lá poderemos nos misturar aos convidados.
    Na porta de entrada do casarão, alguns senhores elegantes acompanhados de suas damas conversavam, passamos por eles meneando as cabeças, numa rápida troca de cumprimentos, onde adentramos o salão de entrada da casa.
    No salão, a solenidade transcorria alegre, grupos de senhores e damas conversavam animadamente com taças de vinho na mão; risos, galhofas e anedotas pareciam ser a temática de quase todas as mesas e rodas.
    - Bruno – me chamou a atenção Flavie – precisamos nos esconder em algum dos quartos, porque parece que os guardas estão vindo para cá – disse apontando pela janela um grupo de guardas ainda na entrada do casarão.

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  24. - Por toda França explodem revoluções; camponeses invadem castelos da nobreza, saqueando-os; os habitantes das cidades participam da tomada de prédios públicos e mesmo lincham algumas autoridades.
    - E por que aqueles guardas estavam atrás de você? – indaguei curioso.
    - Porque faço parte de um grupo revolucionário, a exemplo da centena deles que existem hoje na França – e parecendo tomar fôlego, continuou: – eu e meu grupo estávamos reunidos numa taberna, quando a guarda palaciana chegou dando voz de prisão a todos.
    “Alguns companheiros desembainharam as espadas e principiou-se um confronto, onde eu e outros conseguimos nos evadir. Daí ter quase derrubado você, enquanto corria pelas ruas buscando me esconder dos guardas”.
    - Sua estória parece até de cinema! – exclamei me esquecendo que o mesmo ainda não havia sido inventado.
    - Ci... o quê? - perguntou Flavie não entendendo o significado do que eu havia dito.
    - Esqueça o que falei Flavie... – respondia sem querer me adentrar em explicações mais detalhadas, quando ouvimos um grito:
    - Lá está ela! - gritava um dos guardas do regimento palaciano apontando para Flavie.
    Imediatamente nos colocamos em fuga precipitada pelas ruas, me lembrei que passávamos em frente ao casarão onde ao descer da máquina do tempo, estava havendo uma solenidade.
    - Vamos entrar naquela festa – disse para Flavie apontando o casarão – lá poderemos nos misturar aos convidados.
    Na porta de entrada do casarão, alguns senhores elegantes acompanhados de suas damas conversavam, passamos por eles meneando as cabeças, numa rápida troca de cumprimentos, onde adentramos o salão de entrada da casa.
    No salão, a solenidade transcorria alegre, grupos de senhores e damas conversavam animadamente com taças de vinho na mão; risos, galhofas e anedotas pareciam ser a temática de quase todas as mesas e rodas.
    - Bruno – me chamou a atenção Flavie – precisamos nos esconder em algum dos quartos, porque parece que os guardas estão vindo para cá – disse apontando pela janela um grupo de guardas ainda na entrada do casarão.

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  25. - Vamos subir aquelas escadas – repliquei por minha vez, apontando para uma grande escadaria.
    Passamos por alguns convidados, que trocaram conosco algumas olhadelas furtivas e subimos as escadas. No final da mesma, antes de adentrarmos um grande corredor, olhei para baixo e pude ver que alguns guardas conversavam na porta de entrada do casarão com alguns nobres, que pareciam ser os donos da festa.
    Eu e Flavie então começamos a rodar as maçanetas das portas dos quartos, procurando um que estivesse aberto, quando ao lograr êxito, adentramos o interior do mesmo.
    Naquele momento suspiramos aliviados, onde procurei uma cadeira que se encontrava próxima de mim e Flavie se estirou numa grande cama, cansados e fatigados.
    O clarão minguado da luz do azeite sobre uma penteadeira iluminava mortiçamente o quarto. Enquanto descansava, aproveitei para observar o ambiente ricamente mobiliado. Havia uma grande cama de casal, toda entalhada, com lençóis de seda macios e lustrosos.
    Levantei-me e arredando as cortinas de grande janela, podia observar os jardins daquele magnífico casarão do século XVIII. Neste momento, me virei para a direção de Flavie e comecei a contemplá-la.
    Deitada na cama, a moça respirava mitigada. Parecia querer por as ideias em ordem, no que ficava a brincar com as pontas da grande cabeleira loira, agora desembaraçada da touca que a prendia.
    - Flavie – disse me sentando na cama ao seu lado – agora que estamos tranquilos e livres de quaisquer perseguições, é que posso apreciar o quanto és bela!
    A moça se levantou de chofre e também se sentou. Parecia envergonhada diante das minhas palavras, porém seu olhar brilhava, suas faces estavam ruborizadas, sua respiração ofegante.
    - Depois daquele beijo, também passei a sentir por ti algo diferente – dizia com a fala ardente – também és tu um belo homem!
    Ao final daquelas palavras, enlacei-lhe a cintura e passando a mão pelos seus cabelos, principiei a beijá-la, no que ela respondeu com efusão. Durante minutos ficamos a trocar carícias e juras de amor.

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  26. Estávamos entretidos em nossas carícias, quando ouvimos passos e conversas entrecortadas. Rapidamente desvencilhamos nossos corpos, onde lhe disse:
    - Flavie, os guardas devem estar revistando os quartos, temos que sair daqui depressa!
    - Mas como? – inquiriu ela assustada – eles estão no corredor e não há outra saída.
    Tentava pensar em alguma saída, quando de relance olhei para os lençóis da cama.
    - Façamos uma espécie de corda com os lençóis! E começamos a fazer nós com os lençóis e colchas que ali encontramos. Findos alguns minutos, estava pronta a corda improvisada. Amarrei-a ao pé da cama, fazendo um nó bem firme.
    - Agora temos que descer pela janela Flavie – disse-lhe encorajando-a – não será tão difícil assim, basta que você se agarre no meu peito e coloque os braços no meu pescoço.
    Um pouco excitante, a moça meneou a cabeça assustada e então iniciamos a descida. Decorridos alguns minutos, conseguimos alcançar o chão, aliviados. Do jardim ouvimos quando os guardas arrombaram a porta.
    - Depressa Flavie, corramos! E nos precipitamos em descompassada carreira pelos jardins da residência, alcançando a rua depois de alguns minutos.
    - Não teremos muito tempo, pois os guardas encontrarão a corda que improvisamos pendurada à janela, temos que fugir para algum lugar seguro – ponderava diante da gravidade da situação.
    Foi quando ouvi o sino da igreja badalar por quatro vezes! A madrugada se findava e eu precisava voltar para a máquina do tempo, mas como deixar Flavie desamparada?
    - Vamos para a casa de Charlote, uma amiga que me compartilha os mesmos ideais – redarguiu convicta – lá você também encontrará lugar seguro.
    Pusemos-nos então em direção ao local designado por ela, cruzando ruas e praças da capital parisiense. Ao virarmos em uma esquina, uma voz feminina chamou pelo nome de Flavie.

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  27. A moça procurou divisar o vulto em meio à escuridão da rua e quando nos aproximamos da lanterna de um poste, exclamou alegre:
    - Charlote! - O que fazes por aqui? Estávamos mesmo indo para tua casa! - exclamava surpresa ao encontrar a amiga ali, diante do adiantado da noite.
    - Fiquei sabendo da batida na taberna – redarguia enquanto me observava – estava preocupada contigo e com os outros.
    - Ah, sim – replicava Flavie por sua vez – quase fui presa, não fosse os préstimos de monsieur Bruno.
    Flavie então nos apresentou, no que nos cumprimentamos cordialmente.
    - Pois bem, Flavie – continuava Charlote – precisa te esconderes em algum lugar seguro - que bem pode ser minha casa - pois os comentários que correm é que todas as forças revolucionárias se preparam para invadir a Bastilha ainda nesta manhã. É muito perigoso que fiquemos na rua, pode-se esperar atrocidades de todo tipo por parte do exército real.
    Flavie aquiesceu prontamente, no que perguntou a Charlote se eu poderia ir também.
    Neste instante, interrompi a fala de Flavie, dizendo:
    - Flavie, infelizmente tenho assuntos a tratar ainda hoje – dizia sem entrar em muitos detalhes – ademais é mais seguro que vá você com sua amiga, pois saberei me defender sozinho.
    Minhas palavras pareciam cortar fundo seus sentimentos, no rosto da moça podia perceber uma lágrima espontânea caindo.
    - E como nos encontraremos de novo? - indagou expectante.
    - Podes me dar seu endereço? - perguntei por minha vez.
    - Anote o meu – interveio charlote – poderá nos encontrar na rua nove de Blanque, Cardinal Lemoine, apartamento dois.
    Por sorte, Getúlio havia posto papel e caneta em um dos bolsos da casaca e rapidamente anotei o endereço daquela que havia me monopolizado o coração.
    Enquanto eu escrevia, podia perceber que as moças olhavam curiosas para o objeto que eu usava para anotar o endereço, visto que a caneta ainda não havia sido inventada!

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  28. Depois de anotar o endereço e guardar o papel no bolso, me dirigi então a Flavie:
    - Querida, tenho que ir agora. Espero que em breve nos encontremos. A essas palavras, nossos lábios se buscaram e trocamos um demorado e apaixonado beijo.
    - Vamos Flavie – admoestava Charlote – é perigoso ficar aqui, temos que ir embora para casa.
    Exortei Flavie a acompanhar Charlote e despedindo-me de ambas, também saí em direção ao local aonde se encontrava a máquina do tempo.
    Enquanto andava, olhava para trás visando fitar as duas, gesto que era repetido por Flavie. De alguma forma, tentava fixar aquele olhar pela última vez.
    Ao chegar em uma esquina, virei à cabeça e pude lobrigar seu vulto pela última vez, no que o perdi em meio à neblina que se formava. Tudo aquilo mais parecia um sonho, do qual eu fazia força para não acordar.
    Percorria as ruas apressadamente, pois o sino da igreja já havia badalado cinco vezes, a madrugada se findava e eu precisava retornar para casa.
    Avistei a cabine - lá estava ela detrás da árvore - o lugar estava ermo e penetrei-a sem dificuldades. No painel havia uma nova mensagem de Getúlio que dizia:
    - Nosso tempo está quase esgotado, aperte o botão verde a direita do painel e boa viagem de regresso!
    Imediatamente fiz isto e aquela mesma sensação da vinda se sucedeu comigo, só que desta vez só tinha pensamentos para Flavie e a convicção que pediria a Getúlio para voltar, a fim de poder revê-la.
    De novo me senti tragado por aquele túnel e via imagens mentais de épocas posteriores aquela, me dando a sensação de atravessar o tempo do século XVIII até o ano de 2014.
    Novamente um entorpecimento tomou conta de mim e só despertei quando ouvi Getúlio me chamando pelo nome.
    Ao despertar, trocamos olhares de alegria, Getúlio dava saltos de contentamento e gritava:
    - Eu consegui! - consegui inventar uma máquina do tempo!

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  29. - Então perguntei-lhe:
    - E quando é que testaremos a máquina de novo Getúlio?
    - Isto meu filho – disse com um brilho nos olhos – será outra experiência...

    phdescritor.blogspot.com.br

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  30. NOVO OLHAR SOBRE A MATEMÁTICA, Jornal Beira do Rio, UFPA, Abril 2011,

    www.jornalbeiradorio.ufpa.br/novo/index.php/2011/124-edicao-93--abril/1189-novo-olhar-sobre-a-matematica



    MÁRIO SERRA - ENGENHEIRO, MATEMÁTICO E AMAZÔNIDA, Jornal Beira do Rio, UFPA, Ano XXVIII Nº 120. Agosto e Setembro de 2014,

    http://www.jornalbeiradorio.ufpa.br/novo/index.php/2014/152-2014-08-01-17-25-17/1618-2014-08-04-14-34-28



    ALGUMAS MULHERES DA HISTÓRIA DA MATEMÁTICA E QUESTÃO DE GÊNERO EM C & T.

    http://sitiodascorujas.blogspot.com.br/2013/06/mulheres-na-matematica.html

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  31. Por onde você anda, Ryoko? Sumiu e aparentemente não escreve mais, espero que os gnomos não tenham sumido com seus materiais de escrita, hehe u.u... Espero que suas dores nas costas tenham melhorado.
    Não deixe de escrever, pois o mundo precisa de mentes como a sua para inovar no campo imaginativo do sonho de se ler.
    Beijos

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  32. esker, informazio oso polita eta oso interesgarria da, zorionez, erabilgarria da

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