segunda-feira, 6 de maio de 2013

Fanfic de Batman: O Começo

Recomendo ler antes a fanfic O Fim



O Começo 

O cenário era diferente, mas conhecido: o mesmo do fim.
Localização incógnita, desordem, cheiro de pólvora e querosene. Explosivo e perigoso, exatamente como ele...
Tentou se levantar, mas como se não bastasse a certeza de alguns ossos quebrados, ainda estava amarrado e amordaçado. Deu um gemido baixo de dor e frustração.
E também de ansiedade.
Por que ele não estava lá, ao seu lado? O que ele estaria aprontando?
Tentou mais uma vez se mover, apenas dor. Olhou ao seu redor: era o covil dele, já estivera ali uma ou duas vezes antes. Como adoraria saber a localização daquele, apenas para mandar pelos ares aquele antro decorado com tamanho mal gosto. Virou-se para o outro lado e então viu Coringa sentado, observando-o com seu grande sorriso sádico enquanto passava batom.
– O que foi, já está com saudades? – ele perguntou em meio à sua risada obscena, indo na direção do herói, abaixando-se para ficar mais perto dele. –Preparaste o rabinho como eu te disse da ultima vez, docinho?
Ele ria, parecia tão insanamente feliz.
O morcego apenas grunhiu. A boca tapada por fita adesiva não lhe permitiria dar a resposta que ele merecia, da mesma maneira os braços atados nas costas não deixaram que aquele sorriso maldito fosse quebrado por um soco.
– O que foi? Por que tão sério? – ele perguntou, passando o batom por cima da fita que cobria a boca do herói, desenhando um sorriso. – Papai veio brincar com você. – ele disse após terminar seu desenho, tirando do bolso do seu paletó nada menos do que um ben-wa. – Eu trouxe até um brinquedo para você! Bolinha! Aposto que você vai se divertir muito. Pelo menos eu tenho certeza que eu vou. – Ele deu uma piscada mais do que significativa e começou a tirar as roupas do morcego, bem lentamente, até despi-lo por completo.
Mas a máscara, novamente, não haveria de ser removida.
A máscara era uma garantia necessária à continuidade daquele joguinho louco que ambos jogavam. A máscara seria para sempre a desculpa, o motivo que impulsionava a caçada, que os levava sempre aos mesmos finais e começos.
Ah, sim, quantas vezes Coringa não tivera aquela identidade ao alcance de suas mãos? A primeira vez fora a cerca de três anos, um começo exatamente como este que reviviam agora. As mãos do Morcego atadas e um dos braços deslocados. Seus sentidos ainda um tanto entorpecidos pela ação do clorofórmio e os dedos do louco em sua face, ameaçando revelar sua identidade. Provavelmente havia sido naquele momento que o gênio do crime bolou seu mais complexo plano e, em vez de tirar-lhe a máscara, o maldito tirou-lhe as roupas. O louco pervertido estourou-lhe não apenas o corpo, mas também o espírito, tomando-o com força e falando rente a seu ouvido as mais indizíveis obscenidades.
Disse também que não poderia viver sem ele.
Disse que não seria mais nada sem ele.
Disse que o amava.
Batman certamente não compreendia aquele tipo de amor. Amor insano, louco, sujo, odioso e doloroso. Mas de alguma maneira, compreendia Coringa. Compreendia a relação simbiótica que os dois detinham, algo que ia além do conceito de herói versus vilão.
Algo especial, único.
Uma necessidade.
Foi daquela deliciosa humilhação que se originou a mais intensa caçada – esta alimentada pelo desejo de vingança, e pelo desejo per ser. Caçou-o sem descanso, até tê-lo ao alcance de suas mãos e de seu corpo.
Foi assim que começou o jogo, com suas regras implícitas e prêmios muito bem definidos.
– Eu gosto muito mais quando eu organizo os nossos encontros, sabia? – ele comentou, tirando o Cavaleiro das Trevas de seus devaneios. – Dá para saborear melhor... Sem pressa, sem medo de alguém aparecer. Já pensou como seria se alguém soubesse que eu tenho o costume de comer o Santo Batman? Gotham City ficaria desolada e os pais não deixariam mais os filho comprarem seus bonecos. – ele riu da própria piada sem graça. – Aqui a gente tem mais privacidade, dá para fazer mais coisas. Coisas bem interessantes, você não acha? – perguntou, finalmente arrancando sem delicadeza a fita que impedia o outro de falar.
– Você é um filho da puta pervertido. – o Cavaleiro das Trevas rosnou por entre os dentes, repleto de ódio.
Repleto de vontade.
Vontade retribuída pelo palhaço que o beijou em seguida.
Seus beijos e seus lábios... Repugnantes, mas ainda assim, desejáveis. A forma como ele o beijava era única. Devoradora e perversa, do jeito que nunca havia experimentado com mais ninguém. As mãos deles explorando seu corpo sem pudor e sem cuidado, agarrando com vontade suas coxas e a lateral do seu corpo – bem onde o Coringa certamente sabia haver uma costela quebrada.
Seu murmúrio de dor por entre os beijos parecia servir apenas para atiçar ainda mais o palhaço, aquele sadomasoquista maldito que lhe ensinara muito bem aquela forma de perversão.
– Nossa, você já está duro assim? – ele comentou após interromper o beijo, rindo, meio que debochando, para então sussurrar ante o ouvido dele. – Calma, eu também estou, mas não precisamos ter pressa, não é? – murmurou enquanto pegava o ben-wa. –Vamos brincar antes, até você não aguentar mais. Eu quero ver você gozando sozinho, só de ansiedade, como o pervertido que você é, Santo Batman. – ele ria enquanto inseria as bolinhas, adorando ver o outro morder seus lábios para não deixar escapar qualquer gemido.
Adorava isso nele, aquele orgulho todo...
Só porque orgulho era pecado.
Ele adorava pecados.
Adorava o pecador.
Adorava a oportunidade de pecar junto a seu santo favorito, brincar com ele das maneiras mais erradas possíveis, profanar suas rezas e sermões com gemidos. Como era bom ver sua moral perfeita desfazendo-se em gozo. Tomá-lo para si uma, duas, quantas vezes quisesse.
Brincar com ele até quase quebra-lo e então deixa-lo de lado, apenas para poder vê-lo dormir exaurido pela dor e pelo prazer.
Olhá-lo por horas e horas, antes de devolvê-lo às ruas.
O Coringa tinha daquelas coisas, daquelas taras. Adorava observar o Cavaleiro. Ficar olhando apenas, tocando-o só de vez em quando. Para ele o Batman era algo melhor de se assistir do que se ter; um daqueles bichos que seria um crime colocar em uma gaiola. Apenas por isso que ele o soltava sempre depois de brincar o bastante, apenas para que ele voltasse a voar.
Para que um dia ele voltasse para si.
E ele sempre voltava.
Pois se havia um fim, haveria também um começo.



Muito obrigada a minha querida Annah Hel que betou para mim! Beijões e gratidão eterna por ser uma fofa!

terça-feira, 26 de março de 2013

Review de A Lenda de Fusto - Tadzo do Mundeiro


O pecado de sentir prazer entre o céu e o inferno.
Lendas e contos sobre anjos e demônios, céu e o inferno, Deus e o Diabo sempre chamam a minha atenção justamente por parecer mais realista e interessante que as leituras bíblicas. Filmes e séries americanas exploram esse tipo de assunto com muita recorrência e me atiçam bastante não somente por ficção ser um dos meus gêneros favoritos, mas, sobretudo por me fazer questionar até onde vão os ensinamentos ditos pela igreja católica.
O livro de Samia Lages, A Lenda de Fausto, no entanto, me mostrou outro lado desse tipo de narrativa que jamais poderia imaginar e muito menos ler. A lenda é de origem alemã, é baseada no médico Johanne George Faust e conta a história de Fausto, o médico que vendeu a alma ao demônio para que lhe trouxesse novamente a juventude e para isso ele deveria beber sangue demoníaco todos os dias e, mesmo se arrependendo do pacto que fez, não escapou da ida ao inferno. Mas Samila Lages ultrapassou os limites da fantasia e criatividade na sua versão da lenda.
Em A Lenda de Fausto, o rei do inferno, Lúcifer, ordenou que Belial, o demônio do orgulho e da soberba, trouxesse a ele a alma de um humano, Fausto. A princípio, o médico não tinha ideia da tragédia que seria seu futuro a partir dali, mas por estar diante da morte se viu obrigado a aceitar a proposta do demônio: beber seu sangue e se tornaria vinte anos mais jovem. O arrependimento veio na hora, porém já era tarde: o belo e saudável Belial precisaria do sangue demoníaco para viver, o que manteria um eterno laço entre um ser humano e um ser do inferno.
Mas a história entre o humano e o demônio não se prende em lutas e mortes como se veria na série americanaSupernatural, por exemplo, pois além de Belial desejar a alma de Fausto, ele também o desejava, se é que você me entende. Ambos passam a ter uma relação estritamente de pele, carnal, sexual, como se não houvesse nada mais importante que o poder de superioridade na hora do sexo. Até chegar ao ponto crucial da narrativa, em que Belial se apaixona por Fausto. Ou seja, demônio de apaixonar por humano. Há algo, no mínimo, fora dos “padrões”, não?

Continue lendo em http://mundeiro.com/index.php/livros-hqs/item/81-nos-lemos-a-lenda-de-fausto

Adorei essa Review! é bem completa ^^
Obrigada senhor Tadzo!

domingo, 10 de março de 2013

Malvisto


Malvisto

Do encontro da pele nua tão quente
Aos trêmulos dedos de seu amante
O coração bate mais forte, ele sente
O gozo escorrer doce e brilhante

Naquela hora da noite é permitido
O júbilo manifestar-se em grito
O prazer há tanto tempo abstido
Liberto em pecaminoso atrito

Haverá culpa em sentir desejo
Pelo corpo há tanto tempo quisto?
Ou seria mera forma de cortejo

O grave desafio aos céus visto
Que seu encontro a cada ensejo
Por serem machos ambos é malvisto


Pois é gente, eu não morri, apenas estou com uma produção bem parada. Espero remediar isso em breve.
Aos interessado, ainda tenho exemplares de a Lenda de Fausto, e é possível que em breve eu lande um livro com contos yuri e principalmente yaoi ^^ Veremos