sábado, 22 de setembro de 2012

Não.... E Relatos da Queda X

Não, eu não morri. Não, não voltei a escrever, ao menos, não do jeito de antes, mas também não, não abandonei minha paixão.
Tanto não abandonei que estou com um capítulo inédito de Relatos da queda, aqui, para vocês que ainda não me abandonaram....

Ah, um recado àqueles que querem A Lenda de Fausto, a inflação ainda  não atingiu a o livro! XD O Frete ainda tá GRATIS! O Valor de R$ 37,80 sai para quem compra no boleto bancário, se você comprar fazendo depósito bancário, sai a R$ 35,00.

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Qualquer dúvida meu e-mail é:  samila.lages[ARROBA]gmail.com

Mas sim, deixa eu parar de enrolação, e postar o capítulo:
(detalhe que eu não tinha postado todos os caps anteriores aqui no blog, então, se você quiser lê-los, vá aqui no Nyah, que estão todos >.<)
http://fanfiction.com.br/historia/18255/Belial_-_Relatos_Da_Queda




Capítulo X – Sombras



Devia estar satisfeito com aquela situação, afinal, Lúcifer poderia ser para mim o deus que todo Anjo precisa ter para adorar... Pergunto-me apenas qual seria então o deus de Lúcifer naquele momento.
-Mais uma estrela caiu sem fazer som algum... -Ele comentou enquanto ambos olhávamos para o céu noturno, observando o fato de outra estrela ter se apagado. Obra de Anakiel, eu podia apostar.
-Haverá um dia em que o firmamento não será nada além de uma escuridão sem fim? -Indaguei-lhe enquanto me abraçava a seu corpo e repousava minha cabeça sobre seu peito.
-Já não estamos visualizando esse dia, Belial?
-Sim, mas ele me parece tão distante, meu senhor...
-De fato, está distante... Mas se aproximará à medida em que lutemos... -Ele disse após longos momentos de silêncio.
-Achas isso prudente, Lúcifer?
-Viemos tão longe, Belial... Haveríamos de parar agora? Olha! Olha como está claro o céu com as estrelas ao nosso alcance! Não achas que devemos despi-las a fim de ver sua real beleza? Não achas que ele ficará mais encantador caso a escuridão o tome?
-Temos poder para tal, meu senhor?
-Tens dúvidas de minhas capacidades, Belial? -Ele perguntou ligeiramente sarcástico, simulando um tom ofendido.
-Não! De maneira alguma! Mas... E as espadas Arcanjos dos Guerreiros? Como enfrentar aquele poder?
-Com um poder superior, é evidente.
-Que seria...?
Ele se levantou e sorriu para mim, frio apenas como ele poderia ser. Perguntei-me qual poderia ser o trunfo do grande Arcanjo que trajava a mais simples vestes dentre todos eles... Como pretendia alguém aparentemente tão delicado enfrentar três guerreiros armados? A resposta veio então com um movimento de sua mão esquerda. Não sei dizer como, mas de lá, de sua nudez mesmo, Lúcifer sacou uma espada.
Oh sim! Da delicada e forte mão brotou a princípio uma lâmina de cristal esculpida com perfeição, formando o mais fino dos fios e a mais bela transparência. Esta mesma lâmina se estendeu por mais de um metro, até de se sua mão saísse o cabo também em diamante, sendo seu guarda-mão ornado por belas gemas negras primorosamente lapidadas, e seu pomo a mais intensa e bela turmalina negra, de tamanha perfeição em seu formato e cor que jamais poderá se encontrar na natureza terrestre.
-Diga, Belial, se pode haver mais adequada bainha à mais poderosa arma divina, senão a carne do mais poderoso Arcanjo? –Ele perguntou enquanto exibia, bem diante dos meus olhos a nefasta espada.
Mirei abismado para a assustadora beleza daquela arma, sentindo meu interior tremer em algum receio profundo; mas mais profunda era a admiração pelo que me era desconhecido. Estendi minha mão para tocar aquela arma, mas antes que meus dedos alcançassem o cristal, Lúcifer a afastou de mim e disse suavemente:
-Jamais a toques, Belial, mesmo que a evites o fio. Nem em seu punho, menos ainda em sua lâmina, pois qualquer um que a toque, excerto eu, sofrerá com um terrível corte.
Encolhi minha mão assustado, tendo certeza que aquilo que Lúcifer falava era verdade.
-Como se dá isso?
-Este foi um presente divino, dado a mim no ato de minha criação. –Ele contou enquanto guardava a espada mais uma vez dentro de si, e pôs-se a vestir-se. -Foi quando Deus disse que eu haveria de ser um guerreiro e que tendo esta espada, Celestial algum seria capaz de se opor a mim. Ele disse que eu era o mais poderoso dos Arcanjos, Belial... E por isso conferiu a mim a mais poderosa das armas.
No momento em que Lúcifer me disse aquilo, perguntei-me por que haveria Deus de armar seus Arcanjos contra os demais Celestiais. Qual seria a necessidade disso, a princípio? Senti em meu âmago que nosso Criador já havia antecipado nossa batalha em seus planos, e aquela certeza me preencheu de terror. Seriam nossas vontades, desejos e revoltas apenas desígnios de Sua vontade?
Aquela dúvida me aturdiu tanto que tive até receio de estendê-la a meu novo senhor. Não queria pensar naquilo, não queria perder as poucas certezas que havia construído acerca de mim mesmo em minha recém-adquirida independência. Tampouco queria que fosse levada ao coração de Lúcifer qualquer dúvida acerca de nossas intenções ou de sua própria majestade.
Calei-me acerca de minhas preocupações, contudo ainda indague-lhe:
-Mas... Ainda assim, meu senhor, somos tão poucos... Como agiremos sem que nos massacrem tão logo notem nossas intenções?
-Como sombras! -Ele falou repentinamente, sua magnífica voz detendo um tom contido de agitação, como se aquela simples palavras fosse fruto de alguma complexa epifania. -Sejamos como sombras, Belial! Sombras que rastejam pelo reino de Deus, maculando com desejos, dúvidas e convicções a todos que tocarmos! Rastejando seguiremos, até que nossos números superem os daqueles que se manterem fieis Àquele que os domina!
-Rastejar, Lúcifer? Perdão, mas rastejar não me soa digno! -Reclamei de imediato, já envolto no orgulho que para sempre me marcaria.
Ele sorriu para mim e passando a mão por meus cabelos começou a falar suavemente:
-Rastejar, meu querido... Locomover-se sem fazer barulho, bem rente ao chão, sem riscos de desabar e deixando os mais sutis rastros possíveis. Rastejar como as serpentes do pântano, que sorrateiras dão o bote, sem aviso ou piedade! Sejamos como elas, rainhas de maldade, repletas do veneno que apodrece as carnes, mas ilumina as almas e sentidos! Oh, sim, como sombras e serpentes, que discretas ocultam-se a cada alvorecer, mas poderosas saem a cada crepúsculo!
-Acho que teu encontro com as impuras criaturas dos contornos do Édem não te fez bem...
-Por que dizes isso? Não gostas de minhas palavras, atitudes ou intenções?
-Amo a todas essas, com mesma intensidade que amo a tua figura, a teu corpo e a teu espírito! Mas...
-Mas enxergas indignidade no ato de te associares com criaturas mortais?
-Isso é obvio, não?
-Sim, e, no entanto, te associaste com Lilith.
-Mas Lilith era diferente!
-Tratas o Ser Humano como um ser superior aos demais animais?
-O Ser Humano, não. Apenas a Mulher.
-E isso inclui Eva?
-Claro que não!
-Compreende a contradição na qual te colocas? O que torna Lilith e Eva diferentes, sendo ambas da mesma espécie?
-Lilith era...
-Inteligente, audaciosa, ambiciosa. -Ele respondeu, antes que eu pudesse pensar em adjetivos tão adequados quanto.
-Sim... Tudo que Eva não é. Isso as torna diferentes.
-Concordo, e da mesma maneira, dentre os animais e as bestas, existem aqueles que são diferentes. O pântano em que nos encontramos, e os desertos que se formam além dele... Funestos e repugnantes! Inóspitas moradas reservadas apenas a criaturas incapazes de compreender porque lhes foi dada tão ingrata vida, enquanto os seres do Édem se deliciam com frescas brisas, águas cristalinas e todas as facilidades que Deus provém. Essas pobres criaturas são tão fracas! Mortais, pois precisam de comida enquanto nós sequer conhecemos a fome, e precisam de ar para respirar, enquanto nós não necessitamos sequer do vento para empurrar nossas asas ao mais esplendoroso voo. Nós nos bastamos em nós mesmos, enquanto elas são fracas e precisam umas das outras, fazendo deste convívio uma desarmoniosa e cruel batalha. Elas, meu caro, não precisam do Deus que as abandonou, pois a providência Divina não as alcança nem as abençoa... São como nós, Belial, fadadas às sombras. Agora imagina como seria se nós as abençoássemos com nossa divindade e as iluminássemos com nossa sabedoria? A gratidão por se manterem vivas, Belial, é o que possuem de mais poderoso. O que acontecerá se tal gratidão for a nós direcionada? Seremos nós os Deuses delas, Belial, e não mais o Criador!
A beleza daquelas palavras me arrebatou, e naquele momento, soube que poderiam também arrebatar qualquer um que as ouvisse; besta ou celestial. A promessa de se equiparar a Deus, por mais absurda que fosse, seria de fato a mais tentadora a qualquer Anjo abandonado.
E se já não bastassem suas palavras para me convencer, veio então a infeliz mosca que havia visto Lúcifer reviver com sua vitae. Ela voou a nosso redor, reproduzindo o grotesco e leve barulho do bater de suas asas. Ao notá-la a nossa redor, ele sorriu para mim, e disse com candura:
-Deixa-me apresentar um de nossos generais então; este é Beelzebub, Senhor de Todas as Moscas, meus furtivos e silenciosos olhos que a tudo enxergam, e meus ouvidos que a tudo hão de ouvir.
Nesse momento, um riso macabro de fez ouvir, e Beelzebub, talvez compreendendo meu desconforto em sua presença, fez questão de aumentá-lo, chegando mais perto de mim e assumindo então uma forma ainda mais horrenda que a sua original.
Não posso descrever o quão enojado senti-me ao contemplar a disforme criatura, asquerosa em todos os sentidos.  Seus olhos eram totalmente vermelhos, sem distinção entre íris e conjuntiva, e seu corpo era apenas vagamente hominídeo, de contornos tortuosos; sua pele parecia um tanto rígida, escurecida, da qual brotava em seu queico e pescoço pelos grossos e pretos, semelhante ao exoesqueleto do inseto que era sua forma original. Sua coluna -se é que aquele ser detinha uma- era torta, formando uma proeminente corcunda em seu contorno, e seus membros eram magros, como se a fome o abatesse há anos.
Ele ofereceu sua mão ossuda a mim na forma de um comprimento, mas eu apenas a olhei, com receito de tocá-la. Ele apenas riu ante minha recusa, e erguendo ainda mais a mão, tentou tocar meu rosto, fazendo-me dar um passo para trás a fim de evitar aquele contato.
Era como se o ar ao redor de si se tornasse mais denso, tomado por invisível pestilência e inodoro fedor. Não é segredo a ninguém que dentre todos os demônios, Beelzebub é o único com o qual jamais tive qualquer nível de intimidade. Esse fato se dá pelo desgosto que sempre senti ao estar perto dele.
-Temes a mim, Celestial? –Me perguntou, sua voz era um tanto aguda, profundamente irritante.
-Não tenho temor algum em meu espírito, General. –Menti. Por dentro, sentia que o toque dele era capaz dos piores feitos, como se seus dedos sujos detivessem um veneno capas de corroer a pele de qualquer ser.
-Então por que foges de mim, Belial? Não enxergas que estamos do mesmo lado? –Ele seguia com sua voz risonha, e ao ouvir aquilo, olhei para Lúcifer, perguntando-me se apenas eu ouvia o sarcasmo escorrendo pela mesma.
-Qual teu interesse em nossa revolução, Beelzebub? –Perguntei.
Ele riu de forma horrenda, transformando-se então de volta em uma mosca, voando em minha direção e dizendo bem rente ao meu ouvido, suas palavras quase enlouquecedoras junto o terrível zumbido advindo do bater de suas asas:
-Devorar os cadáveres desta guerra, meu caro. Sentir o cheiro da morte que se aproxima, e dela me alimentar. Quero que o mundo apodreça junto a todas as queridas criações Divinas.
Ouvindo também aquelas palavras, Lúcifer deu um sorriso, enquanto Beelzebub soltava um riso macabro e voava para longe de mim, novamente assumindo aquela repugnante forma.
-Consideras justos meus intentos, Rei Lúcifer?
-Justíssimos, e muito afins aos nossos. Concordas, Belial?
Contrariado, concordei com um simples meneio de cabeça, fazendo com que a baixa criatura risse ainda mais de mim, para minha ira.
-Bem, tendo encerrado as apresentações, creio que seja hora de agirmos, não? –Interrompi seu riso, dando as costas ao demônio disforme.
-Sim, contudo, há algo que quero que faças para mim antes, Belial.
-O que seria, meu senhor? –Perguntei solícito, realmente disposto a fazer o que ele me pedisse ou ordenasse. Qualquer coisa que me tirasse logo da presença de Beelzebub.
-Venha comigo. -Tendo dito isso, levantou esplendoroso voo. Fiquei algum tempo ainda, apenas observando a enorme graça com a qual suas asas batiam, até voltar a seguir o incômodo advindo da putrefata aura de Beelzebub. Só então voei para segui-lo.
Voamos por algum tempo, até chegarmos à beira do continente criado por Deus, onde a terra se encontrava a uma imensidão azul que servia de espelho ao firmamento. A grande lua cheia refletida naquelas águas fez eu me perguntar se não seria aquele oceano uma extensão do céu. À beira da praia Lúcifer me esperava, seus frios olhos estendidos ao horizonte vislumbravam cada fraca onda a bater contra os recifes.
Diante daquele cenário, sua beleza pálida se fazia ainda mais estonteante.
-Quando procurei uma serpente como aliada, ela me disse que não poderia auxiliar-nos, pois já servia a alguém. Foi-me revelado por ela que dentro desta infinidade azulada existe uma besta que dorme, a maior dentre todas e a mais poderosa também. -Ele começou a falar tão logo pousei a seu lado. -Seu nome é Leviathan, e o animal me disse que ele reina absoluto sobre as víboras venenosas e sobre todas as criaturas do mar. Trata-se de um ser gigantesco, que com seu simples movimento poderia mover toda essa água que podemos ver. Essa besta precisa ser despertada, Belial, e conto contigo para esta tarefa.
-Uma besta? Como esperas que eu consiga lidar com uma besta? Não aprendi a falar com os animais, como tu fizeste!
-A serpente me afirmou que a Besta é sábia e fala nossa língua, e que assim como nós foi amaldiçoada por Deus. Tenho certeza de que com tuas palavras serás capaz de convencer Leviathan a se unir a nossa causa.
-Por que não pedes para Beelzebub cumprir tal missão?
-Beelzebub já está encarregado de falar com Ziz, a grande besta que reina sobre as aves nos ares terrestres, enquanto eu hei de falar com Behemoth, o grande touro que reina sobre o solo.
-Ainda que me peças, não sei se posso fazer isso, Lúcifer. Sabes que não me sinto confortável com a ideia de nos unirmos a criaturas inferiores, e... -Ia continuar meu protesto, mas ele me interrompeu com a voz calma e risonha:
-Aceitar-me-ás como teu Rei, Belial?
-Tu já o és, meu senhor...
Lúcifer sorriu então para mim, contente com minha submissão... Perverso o suficiente para me fazer temer, encantador demais para me permitir recuar.
-Então faça o que digo, meu príncipe. -Ele ordenou enfim, ruflando seu par de asas e seguindo seu caminho, deixando-me ainda aturdido ao olhar para aquele mundo azul diante de mim.
Oh, sim, eu estava sendo tolo, e sabia disso. Reconhecia minha fraqueza naquele momento, mas não permitia que a vergonha por tal me tomasse... Pois o amor há sempre de ser a verdadeira causa para todas as desventuras do mundo... No Céu ou na Terra, sobre os Homens ou sobre os Anjos... Todos nós caímos por amar!
Lilith caiu por tanto amar a justiça, a lógica, a liberdade... Eu caí talvez por amar a mim mesmo, à minha imagem, minha perfeição. Samael tornou-se Lúcifer por amar demais a Deus... E mesmo tendo ciência de tais fatos, eu ainda me permitia cair mais... Eu queria –do fundo de minh’alma- amar ainda mais Lúcifer... Eu precisava amá-lo, eu precisava que ele ocupasse aquele vazio doloroso que a ausência da Luz Divina deixara em meu peito.
Por isso eu precisava de Lúcifer ainda mais próximo ao meu coração.
Por isso eu precisava encontrar o Leviathan.

4 comentários:

  1. Que saudade das suas histórias, Samila.

    Fazia muuuuito tempo que não dava noticias e nem que nos falávamos, mas fico feliz que, pelo menos um pouco, tenha encontrado inspiração para escrever.
    Começava a me preocupar com o destino dos meus personagens demoníacos favoritos. xD
    Das criaturas citadas, nunca tinha ouvido falar de Ziz ç_ç, mas já era familiarizado com todos os outros. xD

    Espero que, até a próxima atualização, não leve taaanto tempo, mas se levar, vou estar esperando, ansiosamente, todos os dias. (menos quando a minha internet não colaborar ou for semana de prova final, cê sabe, né?)

    Até mais Samila \o
    Um grande abraço de um dos seus maiores fãs, Mindhazard ;D

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    1. Bem, não sei o destino desses demônios ainda, mas adianto que terão destino!! hehehe
      e bem... sobre o tempo... há, esse tempo =´[

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