sexta-feira, 9 de março de 2012

Sobre o Ato de Não Escrever - e - Promoção!






Sobre o ato de não escrever

Presos à gloria dos velhos tempos, seus olhos quase negros, outrora brilhantes, repletos de misterioso encantamento –a chama da criação- agora miravam vazios, despidos de vida, o alvo papel abaixo suas mãos.

As linhas não formavam sequer garranchos inteligíveis porque a tinta não saia da pena. O absinto não estava no copo, o incenso não perfumava o ambiente e, por mais que chamasse, Titânia não apareceria naquela noite.

A chuva lá fora era calma, mas não inspirava. Seu coração batia, mas não animava. A mente era inquieta, mas não viajava. O mundo não parava, mas nada se movia. Apenas o ar deixava seus pulmões, e assim tudo seguia, na inércia de um criador cansado, que talvez por saber o que criaria, por saber o que viria, por saber do destino que o aguardava... Talvez por isso não mais se arriscaria, não mais via sentido naquela história cujo final era conhecido, cujos amores já eram vividos, cujos beijos já eram sentidos e cujo... Ah... Suspirou.

A quem queria enganar? O que sabia afinal? O que era afinal? O Criador? O Senhor? Ha! Riu! Mas que graça! Mas que farsa! Riu até as forças lhe faltarem e obrigarem o riso a cessar em um soluço contido. Até o copo vazio cair e se partir, estilhaçando-se como os fragmentos da realidade que ali se fazia, ou ao menos ali deveria se fazer.

O fato era que desconhecia o destino, mas, sobretudo, o temia.

Temia, mesmo que fossem apenas em ficções, pois quantas vezes não vira aquelas ficções tão reais dentro de si? Não apenas em sonhos, visões, vislumbres e ilusões, mas também e momentos, falas, sentimentos e emoções. Quantas vezes não notara que a beleza tão distinta e reluzente não passava de um disfarce enquanto a podridão poderia se exibir sem temer, tão exuberante e chamativa quanto? Nas suas ficções, quantos lábios não beijara, quantas almas não amara?

Quantos deuses já não fora e, banhando em divindade, quantos demônios não perdoara? Na ficção pouco importava se no paraíso todas as harpas se quebravam ou se no inferno as bestas se prostravam em adoração. Nas ficções poderia voar, poderia ser, poderia mudar e poderia sonhar. Amava a ficção pois apenas nela as vísceras mereciam aplausos, os amores fingidos haveriam de gerar lágrimas e os dramas sofridos haveriam de ter finais felizes.

Queria as ficções para ser, fazer parte delas, talvez viver nelas, sobretudo refazer-se nelas, num conto, numa crônica, num livro, Num elogio, no seu nome escrito em uma dedicatória valorizada, numa capa envernizada. Um sonho eternizado, uma idéia, um pensamento, e uma singela lágrima que agora escorria por seus olhos quase negros, outrora despidos de vida, agora tão brilhantes.

Mais do que ser deus, queria ser imortal.



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Sim, o blog está parado, pela condição emocional da autora. Não estou muito bem, mas tenho melhorado aos poucos.

Mas, tenho uma boa notícia: Dia 14 de Março agora a Lenda de Fausto completa 1 ano de publicação, um ano de um sonho realizado, e para comemorar junto a vocês, meu amados leitores, eu fiz uma parceria com o Yaoi Project para sortearmos um livro!

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Enfim, amor vocês, beijinhos e obrigada a todos pelo apoio =*