sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Resultado do Concurso "Uma Proposta Tentadora"

“Um demônio de corpo delgado caminhava desnudo por entre os escuros corredores de pedra do 4º círculo infernal. A elegância com a qual andava fazia virarem os pescoços dos demônios inferiores que guardavam o local, estes impressionados pela visão tão graciosa que Asmodai lhes proporcionava. O rebolado da criatura era insinuante, quase feminino, e a cada passo seus longos cabelos lisos e rubros acariciavam as belas costas de absolutamente pele alva, escondendo apenas uma pequena cicatriz do local onde costumavam ficar suas asas. Um sorriso de pura lascívia tomou seus lábios carnudos e vermelhos tão logo suas mãos delicadas tocaram a maçaneta da pesada porta dos aposentos de Belial. Encontrou o Príncipe do Orgulho sentado em sua cama, em seus lábios finos e pálidos, um sorriso pouco semelhante ao de Asmodai – algo tendendo para a melancolia.

Em seu colo, todavia, repousava a cabeça de um jovem demônio de aparência adolescente. Que não se deixassem enganar pela complacência de sua expressão levemente irritada, que permanecia assim mesmo enquanto Belial fazia leves carinhos sobre pele um tanto morena, pelos chifres curvos de tonalidade dourada, ou pelos curtos cabelos de um castanho profundo. Aquele era Mammon, Rei da Ganância.

Tão logo adentrou, Asmodai, o Príncipe Infernal da Luxúria jogou-se sobre a cama, abraçando Belial por trás e tentando enroscar uma de suas pernas delgadas em meio às fortes pernas do demônio mais jovem. Com voz manhosa perguntou:

-O que o Mammon tem dessa vez, hum..?

-Advinhas? –Belial desafiou, deixando um pouco de sarcasmo escorrer por sua boca.

-Ah, sim, a desvalorização do Grande Bezerro Dourado… Quem diria, logo em um aeon que tanto se fala de poder, dinheiro, Capitalismo… Nosso Rei de Ganância deve estar se sentindo abandonado com tão poucas almas se ofertando pelo ouro… –Asmodai falava com o tom um tanto risonho. –Posso consolá-lo se quiseres, Mammon… –Riu baixinho, envolvendo ainda mais as pernas do demônio da Ganância entre as suas. –Mas terás de esperar… Muitos dos clamores direcionados a Belial caíram diretamente em meus ouvidos… Ah, quantos pedidos repletos de desejo e luxúria, meu senhor… –Comentou, erguendo um pouco o tronco a fim de lamber o pescoço de Belial, fazendo o mesmo sorrir um pouco.

-Parecem que querem que eu reerga Sodoma e Gomorra… Esses pedidos por orgias e prazeres, sodomias sem fim… Isso de fato me traz boas memórias… –Belial disse de maneira nostálgica, olhando para o teto de seu aposento e relembrando de alguns fatos do passado e perguntando-se se o alhinhamento se sua estrela era propício para tal. –Ah, até prevejo minhas belas damas a meu redor, amando-se e amando as visões de seus homens amados amando a mim e a outros homens!

-Acredito que nem em Sodoma a perversão era tão… Estranha… –Mammon comentou ainda de mau-humor. –O que essas tais donzelas gostam tanto de ver em sessões de sodomia das quais nem pretendem participar?

-Ah… Nem em toda a sabedoria que o Criador nos fez enquanto anjos, jamais fomos ou seremos capazes de entender as singularidades da bela e delicada alma feminina, meu Rei… Utilizemos Lilith como exemplo! Quem compreende vossa mãe, Mammon? –Asmodai adiantou-se, ainda beijando com volúpia o pescoço de Belial. –Mas como sabes, Belial, tens todo meu apoio para realizar os desejos dessas moças e rapazes… –O demônio ruivo seguia em suas carícias ousadas sobre o corpo o demônio de cabelos negros, mas este pouco parecia se animar, mantendo a compleição preocupada.

Mammon então se levantou ainda mais irritado do colo de Belial, olhando com raiva para os dois demônios.

-Não penses que sabe tudo que se passa pela cabeça de Belial, Asmodai!

-Acaso o senhor sabe, meu Rei? –O tom respeitoso de Asmodai era composto na verdade de sarcasmo.

-Não, mas sei quem sabe, tu sabes quem sabe, e se isso não te incomoda, é porque não amas Belial de fato!

-Ah… –Asmodai suspirou, como se estivesse cansado, e deixando de lado o pescoço de Belial, jogou-se de costas na maciez na cama. –E cá estamos a falar da Besta!

-Caso não tenhas notado, Belial está apático assim desde que uma humana desejou o poder de Leviathan… –Disse o Rei da Ganância, fazendo o Príncipe do Orgulho erguer uma das sobrancelhas.

-Se não notaste, estou presente, Mammon. –Belial respondeu em tom monótomo. –E estou lúcido.

-Presente e lúcido o suficiente para confirmar minhas suspeitas… Afinal, tu mesmo desejas o que a humana pediu… Por que não vais até Leviathan, heim? Pelo que entendi, adoras o fundo do Mar… -A fala do Rei encontrava-se embargada em ciúmes. -Entrega-te a ele, entrega teu espírito imortal à Besta e pergunta sobre teu futuro! Perguntas o porquê de tuas desgraças! –Mammon quase gritou, cada palavra saindo se sua boca em tom de acusação. –Pergunta a ele porque os humanos, por que apenas os humanos, e jamais um de nós!

Asmodai nada disse, apenas se encolheu um pouco na cama, sentindo-se constrito, da mesma maneira que Mammon logo se sentiu, por uma espécie de presença que fazia lembrar de forma aterrorizante a brisa do mar. A imensa figura surgiu imponente naquele quarto, fazendo tremer o Príncipe rubro e o Rei ali presentes.

Seu corpo era grande e forte, de formas meramente humanoides, mas demasiadamente belas. A pele tinha cor de pérola, e os cabelos eram fios de prata jogados como um rico manto por suas costas e ombros, escorrendo até seus pés. O belo corpo de músculos definidos encantava, mesmo que coberto por uma leve túnica branca. Mas mais encantadores eram seus olhos, cegos e vazios, repletos de infinito.

Belial amara aqueles olhos, e a verdade neles contida, certa vez.

Mammon deu um passo para trás, como se temesse a besta marinha, enquanto Asmodai apenas fechou os olhos e encolheu-se mais na cama. Belial, por sua vez, sorriu quando Leviathan seguiu até ele, e com as mãos pesadas e de grandes garras, tocou sua face com carinho. Logo em seguida o Príncipe da Inveja começou a falar, sua voz preenchendo o aposento como o mais terrível e poderoso dos trovões em uma noite de tempestade no mar.

-A Onisciência… Belial já me pediu por este poder, mas eu jamais o daria para ele, Mammon…

-Por quê? –O Rei precisou reunir pouco de coragem para encarar a grande criatura e retrucar, ainda mal-humorado.

-Porque amo Belial e não desejo a ele as desgraças que a mim foram reservadas. Tampouco concederia minha maldição à humana que ofereceu a alma por ela…

-Por que a ti não interessam as almas humanas? –Asmodai finalmente teve audácia de perguntar.

-Porque talvez isso atraísse a atenção de Belial para tal alma humana, e isso eu não permitiria… –Leviathan respondeu, fazendo o Príncipe da Luxúria tremer pelo simples fato de ter aquela voz direcionada a si. –Já me dói o suficiente ver Belial sempre atraído por humanos com suas desgraças humanas… Para que criaria para ele um humano com desgraças demoníacas?

-Falas como se eu gostasse de sofrer, Leviathan… –Belial finalmente se manifestou.

-Não gostas de sofrer, mas fostes feito para tal… E por isso, nesta noite vais ao mundo dos humanos, adentrarás um quarto e marcarás o pulso daquela cujo desejo mais íntimo ecoa por tua mente e clama por teu espírito.

-E quem é este, Leviathan?

-É aquele que já conheces, que observas há algum tempo… Aquele que detém o tipo de alma que te atrai: a alma dos santos e dos artistas, a alma dos puros que sofrem. Assim como tu sofrerás… Uma alma de um poeta que se desnuda, que se faz de leito, de altar, de solo fértil para as rosas azuis… Uma alma que ilude e que ama, e que fará amar desnudar-se o teu espírito… A alma que mais uma vez que fará sangrar, meu belo caído… –Leviathan falava com pesar e compaixão, ainda acariciando a delicada face de Belial.

-Se saber que ele vai sofrer, por que deixas que aconteça? Eu não permitiria! –Mammon praticamente gritou, profundamente irritado com as palavras do monstro marinho.

-Porque como sempre, no final, serei eu a curar as feridas dele e enxugar suas lágrimas. Essa é minha sina, e é tudo que me resta. Não deixarei demônio ou humano algum tirar isso de mim. –Leviathan falou antes de se desmaterializar, deixando apenas os três demônios no quarto. E uma certeza na mente de Belial.

Naquela noite nasceria o seu mais novo amor, uma pena que jamais eterno: Black Dorian Gray. “

Olá Gente! esse foi o resultado do concurso em parceria com o Blyme Yaoi! Obrigada a todo que participaram! Os detalhes da votação estão disponíveis no site do Blyme!


beijinhos a todos!

ps: acho que em breve voltarei a escrever e postar meus originais e minhas fanfics!

2 comentários:

  1. Vc escreve divinamente bem, muito critivo a história, não é cansativa...Boa Narração, perfeito!

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  2. Muito obrigada, Doppel-sam! fico muito feliz em agradar *-*
    beijinhos!

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