sábado, 31 de dezembro de 2011

Relatos da Queda - Capítulo III - Inveja


Relatos da Queda - Capítulo III - Inveja


Motivado por minha recém-descoberta vontade, e minha recém-adquirida sede por conhecimentos que me haviam sido tolhidos, eu fui atrás de outros como eu: os pontos de luz que por tanto tempo eu apenas observei. Talvez, assim como Lilith, aquelas luzes envoltas pela inércia tivessem coisas novas e incríveis a me ensinar. E principalmente, talvez pudessem me explicar porque eu estava repentinamente me sentindo tão só e angustiado.


Com minhas asas majestosas das quais eu há pouco sequer tinha conhecimento, voei.


Voei como jamais voara antes, solto e sem rumo pelos céus acima do Paraíso. Diferente de como era andar pela Terra, voar pelo Céu era infinitamente mais agradável. Senti espalhando-se por mim uma sensação de liberdade sem tamanho, algo bem distinto da negatividade emanada pelos humanos, a qual alguns físicos modernos acabaram por apelidar de Gravidade vários anos após...


No Céu não há nada disso. Não há ar para impedir o movimento das tuas asas, não há forças para te puxarem para baixo. Não há nada senão luz e um delicado calor. Enfim, o céu é um lugar verdadeiramente indescritível, nada parecido com qualquer coisa que qualquer humano possa ver ou imaginar em vida. Simplesmente impossível para a compreensão daqueles que dizem ser os mais semelhantes a Deus. Só sendo um anjo para entender completamente o que é sentir a luz do Criador a cada instante sobre si, impulsionando seu vôo.


Mas mesmo sendo maravilhoso, eu sentia medo. Medo de que minhas peripécias não dessem em nada, medo de errar tanto ao ponto de que o Pai jamais olhasse para mim novamente. Medo de...


Não sei... Apenas medo, medo e mais nada.


Mas como naquela época eu não conhecia o medo e suas propriedades, muito menos seus motivos, eu segui em frente, voado e passando por muitos domínios, vendo muitos pontos de luz.


Eram meus ‘irmãos’.


Não sabia com qual deles falar primeiro, nunca havia ouvido Deus comentar qualquer coisas sobre nenhum dos outros Anjos antes... Como seriam? Será que eram como eu? Eu não tinha ideia, e por isso minhas mãos tremiam em ansiedade.


Vi então ao longe então uma Luz absurda, mais potente que o Sol quando olhado diretamente da Terra, e que se tornava mais intensa ainda com a minha aproximação.


Era imenso o seu poder, eu podia sentir em minha pele, na maneira como a mesma se arrepiava só de imaginar como seria aquele que emitia tanta luz e amor a Deus... E me aproximando mais e mais, finalmente meus olhos testemunharam a mais absoluta beleza, a mais perfeita criação do Senhor. Testemunhei a luz daquele que conseguia brilhar quase tanto quando seu Criador, e que com seu brilho, ofuscou de maneira quase que permanente os meus olhos.


Ah, Lúcifer…


Lúcifer era perfeito, e por isso, antes de detestá-lo motivado pela inveja que eu viria a sentir, eu o admirei com o mesmo ardor que admirava a Deus. E não temi a heresia que sabia estar presente em meu ato. Não podia temer, não podia fazer nada, senão adorar aquela criatura e tudo do que ela era composta...


Tinha apenas duas asas, mas as mesmas eram maiores que as minhas seis unidas. E eram de um branco tão intenso que eu julgaria não existir, se não estivesse vendo com meus olhos. Sua pele era pálida e reluzente, mais do que a mais pura pérola já encontrada no oceano - mais do que a minha. Seus cabelos eram compridos, lisos e negros. Mais do que os meus. Seus traços, que tendiam ao masculino, eram harmoniosos e simétricos. Mais do que os meus.


Enfim, tudo nele era de uma beleza divina, e portanto perfeita. De uma perfeição muito superior à minha... Algo que me deixou não apenas enlaçado, hipnotizado e mesmerizado... Mas que me fez finalmente perceber que talvez eu não fosse tão grande e maravilhoso quanto julgava ser...


Aproximei-me dele, bem lentamente... Receoso e temeroso, não apenas por saber estar fazendo algo errado –eu já havia cometido pecado maior antes, afinal- mas sobretudo por nunca estado tão perto de algo tão belo, forte, intenso, e aparentemente delicado.


Aproximei-me mais, destinado e aparentemente destemido. Fiz-me notar e vi a exuberante surpresa nos olhos dele. Aquele simples reflexo de pavor e admiração que eu vi misturados nas mais belas orbes criadas por Deus... Ah, certamente aquilo pareceu fazer valer a pena cada um dos meus erros, pecados e ousadias.


–Quem és tu? –Ele me perguntou na língua que era comum apenas aos da nossa raça. Sua voz profunda e severa me lembrava de algum modo a voz do Criador, e me fez pensar de que maneira um humano, um simples humano, haveria de ser mais semelhante a Deus do que aquele maravilhoso ser à minha frente. De maneira alguma eu poderia aceitar um absurdo daqueles, não enquanto morasse em minha mente a lembrança daquela voz que me fez tremer de medo perante sua candura, e que fez eu me sentir flutuar de maneira mais leve e genuína do que me sentira durante o vôo que eu havia há pouco realizado.


–Sou Beliel, Serafim do Primeiro Coro da Primeira Ordem. E tu, quem és? –Perguntei também, gaguejando a princípio. Será que todos os outros eram tão belos e esplendorosos quanto ele? Será que haveriam outros ainda mais belos?


Não, impossível, eu pensei. E pela primeira vez eu estava certo.


Ele me encarou por um tempo, seus olhos eram sérios e brilhantes. Quentes e gentis, mas verdadeiramente cortantes. Eu temi aqueles olhos, quis fugir deles, e se não o fiz, foi apenas porque Lúcifer me agraciou com o mais belo e cálido sorriso que já vi.


–Beliel... O primeiro de nós... –Ele sussurrou de maneira tão melodiosa que eu pensei que eu não era qualificado para cantar os hinos de adoração ao Senhor. Não perante ele... –Eu sou Samael, o Quarto Arcanjo.


–Samael... –Repeti, absorto e maravilhado, como se através de seu nome eu o invocasse para mim.


Até seu nome era perfeito, dava para saber pela maneira suave como ele saía de meus lábios... Samael... Eu não parava de repetir em meu pensamento, ponderando sobre o motivo do nome do meu futuro Rei...


Antes da queda de todos nós, éramos anjos do Senhor, e por isso nossos nomes seriam feitos apenas para exaltá-Lo, é claro. E era esse o nome da Estrela da Manhã antes de mergulhar-se nas trevas e tornar-se o pródigo Filho da Luz. Samael significa ‘Veneno de Deus’, e embora no momento eu ao conseguisse entender o motivo de alguém tão fabuloso deter tão maldoso nome, depois de tudo que veio a se suceder, eu sinceramente não conseguia pensar em nada mais adequado para nomear o maravilhoso anjo que encheu com o doce veneno da inveja o meu coração.


–Diga, Beliel... Para que o Pai te mandou até mim? –Lúcifer perguntou com sua majestosa voz, finalmente tirando-me de meus devaneios acerca de seu nome. E bem, aquela pergunta havia me deixado sem resposta.


–O Pai não me mandou... –Falei bem baixo, como se estivesse com medo de que Ele escutasse... Mas que tolice a minha, pensei mais tarde, afinal, Ele é onisciente... –Vim por minha vontade.


Lúcifer, que até então se mantinha calmo, pareceu finalmente alterar-se um pouco, como se não acreditasse no que eu lhe dizia. E era fácil compreender o motivo de sua surpresa, afinal, éramos ambos anjos, seres cuja única vontade deveria ser a vontade de nosso Criador.


Naquele momento eu era a maior das aberrações.


Não perdeu a compostura, todavia, e por isso foi bem sucinto:


–Se não tens nenhuma palavra do Senhor para falar a mim, por favor, retira-te de meus domínios.


Simples daquele jeito.


Tentei ainda convencer-lhe a conversar, perguntei-lhe algumas coisas a respeito dele, mas ele foi enfático: Sua existência não haveria de interessar a ninguém senão ao Pai, e da mesma maneira, minha existência não servia de nada senão para exaltar ao nosso Senhor, e que por isso eu deveria voltar aos meus domínios, às minhas canções e hinos. Eu só servia para aquilo, minha existência se resumia àquilo, e eu não deveria jamais questionar, afinal, se Ele assim fizera, aquela era a maneira correta.


Ao ter todas aquelas verdades esfregadas contra minha face, não apenas me senti humilhado por finalmente notar o quão patética era a minha condição... Não... Mais do que isso eu senti raiva e inveja. Ambos sentimentos por ter encontrado alguém tão mais belos, mais brilhante, mais sábio... Enfim, mais próximo a Deus, não apenas por sua condição, mas por sua sinceridade, por sua determinação em servir apenas àquele que deveria de fato servir, despindo-se de desejos e vontades que não eram de maneira alguma inerentes a alguém da nossa raça.


Enfim, sendo exatamente aquilo que um anjo deveria ser.


Sendo tudo aquilo que eu não conseguiria mais ser.


Desprezado e humilhado, eu deixei o domínio de Samael, amaldiçoando seu nome per ter me tratado mal e praticamente me expulsado de lá. Mas no fundo -e acredito que ele também tenha notado este fato- invejando-o e admirando-o, desejando mais do que tudo algum dia ser que nem ele.


Lilith pode ter sido a origem de meus primeiros pecados, mas Lúcifer foi o verdadeiro e derradeiro motivo para minha queda, e quando penso nisso, não deixo de me perguntar por que as mãos de Deus, que tantos chamam de Destino, empurraram-me justo naquele momento, justo para aquele domínio...


Mas digam o que quiserem, neguem, se desejarem... Mas de uma coisa eu tinha certeza: Assim como eu, Samael começou a cair naquele dia, envolto pelo orgulho de descobrir-se superior a mim, o primeiro do Anjos.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Poesia: Losna


Gente! desculpa a demora para postar coisas novas aqui no blog! eu estava passando por um período muito ruim, algo que incluía algo chamado TCC....
Mas aos poucos estou voltando a escrever, então espero que sejam pacientes comigo! talvez eu poste um yaoi em brevo...

Por hora, gostaria apenas de compartilhar convosco minha tristeza, pois ontem, enquanto arrumava meu caos (quarto) minhas mãe quebrou minha garrafa de absinto importada, artesanal, feita na Argentina, proibida devido seu teor alcoólico de 75%.
É uma dor muito grande perder essa garrafa, símbolo da boemia dos escritores franceses que eu tanto admiro! Ah, minha fada verde, fonte de inspiração e orgulho! estava mais do que metade cheia! ainda não acredito nisso!
Em homenagem a minha falecida garrafa, e aos escritores que me apresentaram a bela Fada Verde, segue uma humilde poesia:



Losna


Já sentiste tu, nos lábios um forte amargor
Foste tentado então na maldita noite escura
Ouviste a voz do demônio em toda a loucura
Pois se a vontade impera doce torna o sabor

Mas não queres tu descobrir os segredos
Que se escondem nos arbustos de prata esverdeada?

Dos arbustos que nascem sobre a sepultura
Torpe moralidade onde morreu o bem viver
Que faz das asas da fada cativa tortura
E apresentou pecado a todo tipo de prazer

A hora é esperada, pois não sabias tu
Que da galante boemia surge a mais apreciada podridão?

Pois não só nos sonhos se faz a mágica
Mas cada pesadelo com láudano se batiza
Branca doçura no amor se torna trágica
Vem junto à musa que o poeta idealiza

Pois o tolo gera realista ideal de amor
Enquanto no verde entorpece e embriaga
Os alucinados beijos culminam no clamor
No jorrar que faz a dor se tornar vaga

Pois o sentimento de volúpia é como praga
Que se alastra regada na querida perversão
Da cortesã a quem se ama mas logo se larga
Perdida cor pálida de encanto e alucinação

Assim segue com veneno derramado na língua
Sentindo no ardor típico de ferida aberta
Sangrarem os versos lidos à lua que míngua
Vís palavras declamadas em sincera oferta

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Resultado do Concurso "Uma Proposta Tentadora"

“Um demônio de corpo delgado caminhava desnudo por entre os escuros corredores de pedra do 4º círculo infernal. A elegância com a qual andava fazia virarem os pescoços dos demônios inferiores que guardavam o local, estes impressionados pela visão tão graciosa que Asmodai lhes proporcionava. O rebolado da criatura era insinuante, quase feminino, e a cada passo seus longos cabelos lisos e rubros acariciavam as belas costas de absolutamente pele alva, escondendo apenas uma pequena cicatriz do local onde costumavam ficar suas asas. Um sorriso de pura lascívia tomou seus lábios carnudos e vermelhos tão logo suas mãos delicadas tocaram a maçaneta da pesada porta dos aposentos de Belial. Encontrou o Príncipe do Orgulho sentado em sua cama, em seus lábios finos e pálidos, um sorriso pouco semelhante ao de Asmodai – algo tendendo para a melancolia.

Em seu colo, todavia, repousava a cabeça de um jovem demônio de aparência adolescente. Que não se deixassem enganar pela complacência de sua expressão levemente irritada, que permanecia assim mesmo enquanto Belial fazia leves carinhos sobre pele um tanto morena, pelos chifres curvos de tonalidade dourada, ou pelos curtos cabelos de um castanho profundo. Aquele era Mammon, Rei da Ganância.

Tão logo adentrou, Asmodai, o Príncipe Infernal da Luxúria jogou-se sobre a cama, abraçando Belial por trás e tentando enroscar uma de suas pernas delgadas em meio às fortes pernas do demônio mais jovem. Com voz manhosa perguntou:

-O que o Mammon tem dessa vez, hum..?

-Advinhas? –Belial desafiou, deixando um pouco de sarcasmo escorrer por sua boca.

-Ah, sim, a desvalorização do Grande Bezerro Dourado… Quem diria, logo em um aeon que tanto se fala de poder, dinheiro, Capitalismo… Nosso Rei de Ganância deve estar se sentindo abandonado com tão poucas almas se ofertando pelo ouro… –Asmodai falava com o tom um tanto risonho. –Posso consolá-lo se quiseres, Mammon… –Riu baixinho, envolvendo ainda mais as pernas do demônio da Ganância entre as suas. –Mas terás de esperar… Muitos dos clamores direcionados a Belial caíram diretamente em meus ouvidos… Ah, quantos pedidos repletos de desejo e luxúria, meu senhor… –Comentou, erguendo um pouco o tronco a fim de lamber o pescoço de Belial, fazendo o mesmo sorrir um pouco.

-Parecem que querem que eu reerga Sodoma e Gomorra… Esses pedidos por orgias e prazeres, sodomias sem fim… Isso de fato me traz boas memórias… –Belial disse de maneira nostálgica, olhando para o teto de seu aposento e relembrando de alguns fatos do passado e perguntando-se se o alhinhamento se sua estrela era propício para tal. –Ah, até prevejo minhas belas damas a meu redor, amando-se e amando as visões de seus homens amados amando a mim e a outros homens!

-Acredito que nem em Sodoma a perversão era tão… Estranha… –Mammon comentou ainda de mau-humor. –O que essas tais donzelas gostam tanto de ver em sessões de sodomia das quais nem pretendem participar?

-Ah… Nem em toda a sabedoria que o Criador nos fez enquanto anjos, jamais fomos ou seremos capazes de entender as singularidades da bela e delicada alma feminina, meu Rei… Utilizemos Lilith como exemplo! Quem compreende vossa mãe, Mammon? –Asmodai adiantou-se, ainda beijando com volúpia o pescoço de Belial. –Mas como sabes, Belial, tens todo meu apoio para realizar os desejos dessas moças e rapazes… –O demônio ruivo seguia em suas carícias ousadas sobre o corpo o demônio de cabelos negros, mas este pouco parecia se animar, mantendo a compleição preocupada.

Mammon então se levantou ainda mais irritado do colo de Belial, olhando com raiva para os dois demônios.

-Não penses que sabe tudo que se passa pela cabeça de Belial, Asmodai!

-Acaso o senhor sabe, meu Rei? –O tom respeitoso de Asmodai era composto na verdade de sarcasmo.

-Não, mas sei quem sabe, tu sabes quem sabe, e se isso não te incomoda, é porque não amas Belial de fato!

-Ah… –Asmodai suspirou, como se estivesse cansado, e deixando de lado o pescoço de Belial, jogou-se de costas na maciez na cama. –E cá estamos a falar da Besta!

-Caso não tenhas notado, Belial está apático assim desde que uma humana desejou o poder de Leviathan… –Disse o Rei da Ganância, fazendo o Príncipe do Orgulho erguer uma das sobrancelhas.

-Se não notaste, estou presente, Mammon. –Belial respondeu em tom monótomo. –E estou lúcido.

-Presente e lúcido o suficiente para confirmar minhas suspeitas… Afinal, tu mesmo desejas o que a humana pediu… Por que não vais até Leviathan, heim? Pelo que entendi, adoras o fundo do Mar… -A fala do Rei encontrava-se embargada em ciúmes. -Entrega-te a ele, entrega teu espírito imortal à Besta e pergunta sobre teu futuro! Perguntas o porquê de tuas desgraças! –Mammon quase gritou, cada palavra saindo se sua boca em tom de acusação. –Pergunta a ele porque os humanos, por que apenas os humanos, e jamais um de nós!

Asmodai nada disse, apenas se encolheu um pouco na cama, sentindo-se constrito, da mesma maneira que Mammon logo se sentiu, por uma espécie de presença que fazia lembrar de forma aterrorizante a brisa do mar. A imensa figura surgiu imponente naquele quarto, fazendo tremer o Príncipe rubro e o Rei ali presentes.

Seu corpo era grande e forte, de formas meramente humanoides, mas demasiadamente belas. A pele tinha cor de pérola, e os cabelos eram fios de prata jogados como um rico manto por suas costas e ombros, escorrendo até seus pés. O belo corpo de músculos definidos encantava, mesmo que coberto por uma leve túnica branca. Mas mais encantadores eram seus olhos, cegos e vazios, repletos de infinito.

Belial amara aqueles olhos, e a verdade neles contida, certa vez.

Mammon deu um passo para trás, como se temesse a besta marinha, enquanto Asmodai apenas fechou os olhos e encolheu-se mais na cama. Belial, por sua vez, sorriu quando Leviathan seguiu até ele, e com as mãos pesadas e de grandes garras, tocou sua face com carinho. Logo em seguida o Príncipe da Inveja começou a falar, sua voz preenchendo o aposento como o mais terrível e poderoso dos trovões em uma noite de tempestade no mar.

-A Onisciência… Belial já me pediu por este poder, mas eu jamais o daria para ele, Mammon…

-Por quê? –O Rei precisou reunir pouco de coragem para encarar a grande criatura e retrucar, ainda mal-humorado.

-Porque amo Belial e não desejo a ele as desgraças que a mim foram reservadas. Tampouco concederia minha maldição à humana que ofereceu a alma por ela…

-Por que a ti não interessam as almas humanas? –Asmodai finalmente teve audácia de perguntar.

-Porque talvez isso atraísse a atenção de Belial para tal alma humana, e isso eu não permitiria… –Leviathan respondeu, fazendo o Príncipe da Luxúria tremer pelo simples fato de ter aquela voz direcionada a si. –Já me dói o suficiente ver Belial sempre atraído por humanos com suas desgraças humanas… Para que criaria para ele um humano com desgraças demoníacas?

-Falas como se eu gostasse de sofrer, Leviathan… –Belial finalmente se manifestou.

-Não gostas de sofrer, mas fostes feito para tal… E por isso, nesta noite vais ao mundo dos humanos, adentrarás um quarto e marcarás o pulso daquela cujo desejo mais íntimo ecoa por tua mente e clama por teu espírito.

-E quem é este, Leviathan?

-É aquele que já conheces, que observas há algum tempo… Aquele que detém o tipo de alma que te atrai: a alma dos santos e dos artistas, a alma dos puros que sofrem. Assim como tu sofrerás… Uma alma de um poeta que se desnuda, que se faz de leito, de altar, de solo fértil para as rosas azuis… Uma alma que ilude e que ama, e que fará amar desnudar-se o teu espírito… A alma que mais uma vez que fará sangrar, meu belo caído… –Leviathan falava com pesar e compaixão, ainda acariciando a delicada face de Belial.

-Se saber que ele vai sofrer, por que deixas que aconteça? Eu não permitiria! –Mammon praticamente gritou, profundamente irritado com as palavras do monstro marinho.

-Porque como sempre, no final, serei eu a curar as feridas dele e enxugar suas lágrimas. Essa é minha sina, e é tudo que me resta. Não deixarei demônio ou humano algum tirar isso de mim. –Leviathan falou antes de se desmaterializar, deixando apenas os três demônios no quarto. E uma certeza na mente de Belial.

Naquela noite nasceria o seu mais novo amor, uma pena que jamais eterno: Black Dorian Gray. “

Olá Gente! esse foi o resultado do concurso em parceria com o Blyme Yaoi! Obrigada a todo que participaram! Os detalhes da votação estão disponíveis no site do Blyme!


beijinhos a todos!

ps: acho que em breve voltarei a escrever e postar meus originais e minhas fanfics!

domingo, 11 de dezembro de 2011

Promoção! O Quanto Vale sua alma??



Olá gente! primeiramente gostaria de pedir desculpas por meu sumiço aqui no blog, o qual teve um motivo pouquíssimo nobre: uma maldição chamada TCC....

Então, para pedir desculpas, e também estrar no 'clima natalino', cof, cof, gostaria de informar que em parceria com o Blyme (maio portal brasileiro sobre conteúdo yaoi)!

A promoção é na verdade um concurso cultural, muito simples, tudo que você precisa fazer é [b]vender sua alma[/b] para um demônio pra lá de sexy! Simples, não? huaahuaha

Agora sério, é só entrar no link

http://blyme-yaoi.com/main/2011/12/06/uma-proposta-tentadora-voce-pode-ganhar-um-exemplar-de-a-lenda-de-fausto/


e responder:

Como seria o seu pacto com Belial?

A resposta mais criativa vai ganhar um exemplar autografado do livro, na sua casinha, antes do natal!

Não percam tempo! A a promoção vai só até o dia 16/12!

Que vença a alma mais cara (ou talvez a mais dada!)! XD