segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Marcas - Parte I - No.6


Boa tarde! Segue aqui mais uma fanfic do anime No.6 (minha paixão, se você ainda não assistiu, não espere mais e baixe logo!), dessa vez um pouco mais intensa que a anterior.

E bem, como hoje é aniversário da maravilhosa Jack Sampaio, gostaria de dedicar a ela, também ficwriter do Fandon de No.6, esta humilde fanfic!

Feliz aniversário, Jack! Que tenhas muitos outros anos de vida, repletos de inspiração, e que você nos dê de presente muitos contos, romances e poemas! Tudo de bom para você, linda!

E novamente preciso agradecer a lindíssima e dulcíssima Mel Keigo por mais uma ver ter me ajudado e betado uma fanfic de No.6, apesar das adversidades provenientes de o fato de eu ser terrivelmente desatenta XD

*-* E ainda por cima ela se comprometeu em betar a continuação! Olha que eu vou ficar mal acostumada, viu? XD

Então, é isso, espero que gostem!




Marcas

Os olhos cinzentos brilhavam repletos de ira, numa demonstração tão forte e clara de emoções que Shion se perguntou se aquele era o mesmo Nezumi de sempre – e a resposta para sua própria indagação o assustou quando ouviu a voz naturalmente grave do maior sair quase como um rosnado baixo por entre os dentes, que ameaçavam trincar, tamanha a força exercida para não gritar.

-Você tem certeza disso, Shion? Tem certeza de que quer ser meu inimigo?

O menor engoliu em seco enquanto tentava conter o nervosismo – algo praticamente impossível devido à presença da mão raivosa de Nezumi em seu pescoço, pronta para apertá-lo caso se confirmasse aquilo que não queria ouvir.

O que Shion menos queria era magoar o moreno, e menos ainda gostaria de se separar dele. Já havia compreendido em seu coração a forte atração que os unia, mas mesmo assim não via outra saída, ao menos não enquanto mantivesse suas parvas e infantis convicções sobre igualdade e humanidade – as quais não passavam de tolices segundo Nezumi, que já lhe advertira tantas vezes – mas que mesmo assim não conseguia deixar de lado.

Apenas desviou os olhos e baixou a cabeça, como se afundasse em vergonha e auto-piedade por sua decisão de abraçar o papel de mártir.

E aquilo era algo que o outro não perdoaria.

-RESPONDE, SHION! –Nezumi gritou enfim, já não aguentando todo o ódio que ameaçava fazer seu peito estourar. Seus braços fortes erguiam o corpo do menor pelo colarinho da camisa. –VOCÊ VAI MESMO FICAR DO LADO DA NO.6? MESMO DEPOIS DE TEREM TE JOGADO FORA COMO LIXO? MESMO DEPOIS DE TEREM TENTADO TE MATAR? –Prensou ainda mais o corpo frágil contra a grande estante de livros, derrubando alguns deles.

O maior estava ciente da dor que causava em Shion, mas mais ciente ainda estava da própria dor. E daquela forma os dois permaneceram em um silêncio sofrido por alguns longos e insuportáveis instantes: Nezumi com chamas descontroladas em seus orbes cinzentos; Shion com uma vergonha que não permitia sequer que seus olhos vermelhos se erguessem.

-Você é um idiota mesmo... Você não aprendeu nada durante todo esse tempo. –O maior praticamente cuspiu suas palavras com desprezo, soltando-o enfim. A voz estava novamente baixa e controlada, mas tão cheia de mágoa que Shion jurou que poderia morrer de tristeza apenas em ouvi-la. -Tomara que te matem lá na No.6, senão eu que te matarei. –Falou dando as costas, indo em direção à porta. –Quando eu voltar, espero que você não esteja mais aqui.

O passo dado por Nezumi foi pesado e sofrido, como se em seus pés estivessem localizados todos os sentimentos que o atavam ao jovem de cabelos brancos. Por mais de quatro anos fora a lembrança do calor e da gentileza daquele garoto que o mantivera vivo, por isso ir embora parecia ser tão difícil. Não estava disposto a deixar para trás tantos momentos e milagres, mas dessa vez a escolha não era sua. Tudo que poderia fazer era sair antes para não ter que ver o outro partindo.

E talvez por isso seu coração tivesse ameaçado parar de bater quando sentiu um leve toque da mão de Shion em sua jaqueta, bem no seu braço. Mesmo que não o puxasse, que não o segurasse, aquele toque o conteve da mesma maneira que conteve por um instante o ódio que se agarrava e ameaçava romper seu coração.

Virou-se, talvez permitindo que um pouco de esperança brilhasse enfim nos olhos, que pareciam só conhecer a amargura. Viu Shion erguendo sua face, exibindo os orbes rubros trêmulos e envoltos em lágrimas enquanto abria a boca. Sua voz quase sempre suave saiu fraca e vacilante, repleta de dor e receio:

-“...um anseio desmedido por uma hipotética manhã em que os nossos olhos acordem para um mundo renovado nas trevas para nosso prazer, um mundo em que as coisas tomem novas formas e novas cores, e que tenha mudado, ou tenha outros segredo”.

Os olhos de Nezumi, até então esperançosos e adornados por alguma luz, pareceram desta vez perder qualquer brilho, até mesmo a da fúria que há pouco os dominava.

-O Retrato de Dorian Grey, hum? Quer dizer que isso foi tudo o que você aprendeu nesse tempo todo? –Riu em seguida, seu riso baixo e mentiroso, pois não achava graça nenhuma.

Riu de raiva e mágoa e, mergulhado nesses dois sentimentos, sem dó golpeou com seu punho a delicada face do menor, o qual não gritou nem se surpreendeu. Como se esperasse por aquele soco, Shion apenas aguentou e passou a mão pela marca avermelhada no rosto. O fato era que queria aquele soco em sua face, sentia que precisava dele, que o merecia.

Mas infelizmente aquele soco não servira como punição, e nem se fosse espancado conseguiria se perdoar pelo que estava fazendo. Mas ainda assim permitiu que suas lágrimas enfim rolassem enquanto encarava novamente a face zangada do amigo juntamente à sua mão erguida, prestes a socar-lhe novamente.

Não fechou os olhos, apenas continuou olhando para Nezumi, triste e sincero, enquanto o punho erguido que tremia abaixava-se na direção de sua face, tão suave e lentamente. Fechou seus olhos apenas quando sentiu o doce carinho dos dedos frios do moreno em sua bochecha.

-Você ainda não sabe nada sobre lutas, livros ou sexo... –Disse seriamente, mais uma vez dando as costas, reunindo suas forças para ir embora enquanto sua mão escorregava da bochecha ao queixo, prestes a se despedir da pele amada.

Mas novamente Shion o deteve:

-Então me ensine. –Pediu seriamente, seu tom de voz tão firme quanto o maior jamais havia escutado antes.

O superficial carinho se desfez e a mão do moreno foi ao chão recolher um dos tantos livros derrubados, pondo-se a folheá-lo em seguida. O menor prestou atenção na capa de couro do livro antigo onde marcava em letras douradas o título “Flores do Mal”. Esperou em silêncio até que o maior começasse a recitar em voz baixa o trecho um poema:

-“Crime que não moveu no firmamento o sol, o meu profundo amor, o de olhar de arrebol. Com eles a se rir de minha mágoa funda, dando-lhes o prazer de uma carícia imunda.– O livro foi fechado e novamente jogado ao chão com descaso enquanto Nezumi voltava a encarar o menor. Deu um passo adiante, aproximando seu corpo ao dele. Seus olhos voltavam a deter alguma espécie misteriosa, ainda que falha, de brilho. -É sobre isso que queres aprender, Shion? –Perguntou de uma maneira tão séria que assustou o outro, mas não o suficiente.

-É. Ensine-me, por favor. -A voz de Shion continuava firme, o que contrastava grandemente com o forte rubor que agora tomava conta de seu rosto, e o leve tremor que enfraquecia suas pernas.

-Certo... Vou te dar mais essa lição. –Nezumi falou bem baixo, a voz propositalmente rouca contra a orelha do menor provocou-lhe um forte arrepio na nuca. A proximidade de seu corpo se fez ainda maior, quase ameaçadora, tão logo mais um passo foi dado. –Considere como um presente de despedida. –Disse com uma nota de mágoa em sua voz e um sorriso triste em seus lábios, e em seguida beijou Shion, doce e lentamente.

“Despedida.”

Aquela palavra ecoou fortemente pela cabeça do menor enquanto sentia em seus lábios o calor do outro, quase não se dando conta do que realmente estava acontecendo. Instintivamente abraçou Nezumi, agarrou-se a ele na verdade, tamanha força que utilizou. Não queria que se separassem, não queria se afastar daquele que lhe ensinara a viver de fato. Mais lágrimas escorreram por suas bochechas coradas e o nome do seu amado escapou como súplica por entre o beijo.

-Nezumi...

O maior sentiu vontade de chorar junto, mas decidiu que não o faria. Sentiu vontade de consolar o outro também, mas a dor em seu peito não permitiu – era Shion que o estava abandonando, não o contrário. Era ele quem estava sendo deixado para trás, era ele quem deveria receber consolo, mas no fundo ele sabia: a culpa era toda sua por ter permitido que aquele garoto se aproximasse tanto ao ponto de tocar seu coração.

E sentindo raiva de si mesmo; e sentindo raiva daquele que o fizera se apaixonar, e agora o abandonava; e sentindo raiva da No.6 por mais uma vez lhe tomar o que tinha de mais precioso; sentindo raiva de tantas coisas, Nezumi agarrou também Shion e aprofundou o beijo que trocavam, fazendo com que algo doce e superficial se tornasse intenso e violento, ao ponto de fazer os lábios de Shion sangrarem por conta de uma mordida mais forte.

O menor tentou se afastar de primeira, tomado pelo susto e pela falta de ar que lhe provocara a magnitude daquele ato. A forma como Nezumi lhe mantinha preso em seu abraço, a língua dele invadindo sua boca sem sequer pedir licença – aquilo lhe transmitia algum medo, mas jamais seria o suficiente para desejar a distância de fato, e por isso, mesmo temendo, ele logo tentou corresponder ao ritmo do beijo que lhe era imposto. Isso, de alguma maneira, conseguiu aumentar ainda mais a raiva que Nezumi sentia, afinal, se Shion correspondia de fato aos seus sentimentos, por que não ficava?

“Por que você não...?”

Com os olhos arregalados em surpresa por ter finalmente compreendido o óbvio, o maior rompeu o beijo bruscamente e empurrou outro pra longe de si, fazendo com que novamente batesse com as costas na estante de livros. Os olhos de Shion o encararam espantados, sem entender o motivo daquela reação.

Nezumi, assumindo rapidamente a frieza que apenas um bom ator poderia emular, retirou as próprias roupas apressadamente. Seus olhos cinzentos olhavam para os vermelhos com tanta raiva que o menor, pela primeira vez, sentiu medo de verdade pelo que Nezumi poderia fazer consigo.

Suas pernas, que já tremiam sem forças, finalmente cederam e ele foi lentamente ao chão, escorregando suas costas pela estante enquanto a imponente figura do maior, agora desnudo, vinha em sua direção e agarrava suas roupas como se as quisesse rasgar. Os botões de seu casaco foram arrancados com violência e o mesmo aconteceu com os de sua camisa.

-Ne...Nezumi? –Sua voz falhou tamanho seu espanto enquanto o outro abria suas calças e as puxava rapidamente, juntamente com sua roupa de baixo. –O que...? –O moreno não deixou o outro sequer terminar suas indagações, ajoelhando-se na frente dele e calando-o ao apertar fortemente seu maxilar.

-Eu vou te ensinar sobre sexo, esqueceu? Primeira lição: é feito sem roupas. –Disse seriamente e empurrou a face dele antes de soltá-la, agarrando em seguida as pernas dele e as abrindo com rispidez.

Shion conteve um pequeno grito e tentou recuar, virando-se e tentando engatinhar pelo chão, mas Nezumi segurou fortemente seus quadris e o puxou em sua direção, deixando-o ainda mais assustado ao pressionar seu membro já ereto contra suas nádegas.

-O que foi? Não era isso o que você queria? –Perguntou com um sussurro cruel contra a orelha de Shion, sua voz embargada em algum sentimento que o menor não conseguia e nem queria identificar.

Shion soluçou baixo, sentindo o choro novamente prestes a voltar a seus olhos, mas conteve-se e se virou para o maior, pondo-se a encará-lo seriamente. Restava apenas alguma tristeza e decepção aparentes em seus orbes avermelhados, das quais Nezumi fugiu quando o fez se deitar no chão, fechou os olhos e voltou a beijar o menor com volúpia e ferocidade, tentando esconder a todo custo seus verdadeiros sentimentos.

Shion estava assustado. Não fora assim que imaginava que seria sua primeira vez, a qual havia idealizado tantas vezes, sempre com Nezumi. Em nenhum de seus sonhos Nezumi o beijava com tanta fúria, ao ponto de machucar seus lábios. Em nenhum de seus sonhos Nezumi o prensava contra o chão gelado enquanto apertava seus pulsos, impedido qualquer defesa ou reação. Mas, ainda assim, era Nezumi ali, acima de si. E apenas porque podia sentir o calor da pele dele contra a sua, desejou do fundo do coração aquele contato. Respondeu mais uma vez àquele beijo violento e gemeu quando a boca do maior se dirigiu ao seu pescoço, pondo-se a mordê-lo e chupá-lo com a certeza de que marcaria ainda mais a sua pele enquanto se permitia inebriar-se com o cheiro adocicado que de fato lembrava o de uma flor.

Vendo que Shion não lutava para livrar-se de seu julgo –pelo contrário, correspondia a cada carícia sua- o moreno soltou os pulsos do garoto, permitindo que suas mãos passeassem enfim pelo corpo magro e marcado. Parou seus violentos ataques ao pescoço dele e ergueu seu tronco a fim de admirar o caminho que suas mãos percorriam, seguindo as marcas vermelhas cravadas na pele alva e tenra, da face corada ao pescoço repleto de mordidas, ao tronco, à parte interna da coxa esquerda.

-Essa cobra enrolada no seu corpo realmente é muito sexy... –Disse febrilmente enquanto admirava-o com atenção e o tocava com quase adoração. Queria gravar com exatidão em sua mente não apenas aquela visão, mas também cada sensação: a suavidade e o sabor daquela pele, o tremor e os arrepios que provocava na mesma, o aroma embriagante que ela emanava, os olhos que vacilavam, mas o desejavam apesar do medo. O forte corar em sua face e o envergonhado som do seu suspiro de prazer quando a mão que agarrava sua coxa passou a acaricia-lo de maneira mais íntima. Nezumi se sentia hipnotizado pela visão de sua própria mão massageando os testículos e passando seus dedos pelo membro de Shion, apertando a glande por onde já gotejava um pouco de prazer.

-Nezumi... Hum...

Um arrepio percorreu sua espinha quando o menor, de olhos fechados, gemeu seu nome. Queria-o para si, e queria-o para sempre. Sabia que não seria possível, mas ainda assim desejava tão intensamente, e com esse desejo começou a masturbar o menor com força e velocidade.

-Ah! –Shion suspirou novamente assustado, sentindo um pouco de dor pela intensidade dos bruscos movimentos da mão no moreno. –Assim não..! –Seu tronco se ergueu e ele tentou segurar o braço de Nezumi que o tocava. –Mais devagar, Nezumi... –Pediu novamente com a voz falha, sua respiração já prestes a se transformar em um pesado arfar, o qual se interrompeu quando sentiu a mão esquerda do moreno apertando novamente sua garganta com força suficiente para fazer faltar-lhe o ar.

-Vai ser do jeito que eu quiser! –O maior quase rosnou, olhando intensamente para as mais uma vez chocadas orbes de Shion.

O menor sentiu seu corpo se paralisar em terror ante aquelas palavras, e sua mão soltou imediatamente o braço do outro, deixando claro que não faria nada para contrariar Nezumi. O moreno sorriu de canto –embora seu sorriso não transmitisse nada de positivo- e novamente empurrou o tronco de Shion, obrigando-o a deitar-se no chão.

-Bom menino... Agora fica quietinho e curte... –Falou friamente enquanto se debruçava entre as pernas de Shion, alcançando o membro dele com sua boca, fazendo-o quase gritar tão logo sua língua percorreu com força toda a extensão de seu membro, terminando por envolver sua glande e colocar-se a chupá-la com força.

O menor arqueou as costas violentamente, sentindo a dureza do chão machucá-las. Gemeu tão alto que a vergonha o obrigou a tapar a boca com uma das mãos – a qual tão logo notada por Nezumi foi agarrada e impedida de cumprir seu papel.

-Eu quero ouvir seus gritos. –Ordenou, e foi obedecido assim que sua boca voltou ao que fazia.

-Para, Nezumi! –Pediu em desespero, porém o maior fingiu não escutar. –Por favor, para! Eu vou... Ah... –Suas palavras foram interrompidas por um longo gemido de satisfação e vergonha, sendo esta última ainda maior quando abriu os olhos e encarou o moreno olhando-o intensamente com um sorriso de deboche enquanto limpava com a mão o gozo que lhe escorria por um dos cantos da boca.

-Não aguentou nem dois minutos?

Se fosse possível corar mais do que já estava, Shion o teria feito naquele instante. Mas tudo que fez foi desviar o olhar e permitir com que mais lágrimas brotassem em seus olhos, o que preencheu Nezumi com uma culpa mais do que indesejada.

Fingindo que não se importava –mas por Deus, aquela visão conseguira fazer doer ainda mais o seu peito- o moreno, não querendo mais ver seu querido Shion chorar, pôs-se a beijar e mordiscar os mamilos do menor enquanto sua mão direita, totalmente molhada pela semente de Shion, tentava alcançar seu recanto mais secreto.

Como reflexo, o menor automaticamente tentou fechar as pernas, mas Nezumi o impediu colocando seu próprio tronco entre elas.

-Pensou que já tinha acabado? –Perguntou baixo ao ouvido dele. –Eu ainda nem comecei. –Ao dizer aquilo, fez questão de mais uma vez encostar seu membro ereto na entrada de Shion, forçando-a um pouco, deixando o jovem de cabelos brancos ainda mais assustado. –O que foi? Está com medo? Quer que eu pare? –Perguntou, sua voz soando o mais sarcástica possível.

Shion não respondeu nada, apenas relaxou suas pernas, abrindo-as como sinal de consentimento enquanto permanecia com o rosto virado para o lado. As lágrimas que segurara bravamente escaparam silêncios e seu corpo se contraiu involuntariamente quando sentiu um dos dedos de Nezumi entrando em si. O incômodo se tornou ainda mais intenso à medida que o maior insistia, lutava contra a resistência de seus músculos querendo logo inserir um segundo dedo.

-Respira fundo e relaxa. –O maior novamente ordenou com a voz carregada e grave, e Shion tentou obedecer, por mais difícil que lhe parecesse.

O menor suspirou e soluçou, gemeu em seguida sentindo uma dor fina enquanto o outro movia dois dedos em seu interior. Seu membro, todavia, reagia apesar do grande desconforto que sentia, e alguma espécie estranha de prazer percorreu seu corpo quando Nezumi pressionou alguma parte que desconhecia em seu interior, fazendo-o novamente gemer de maneira libidinosa, de novo e de novo, quantas vezes os dedos de Nezumi o quisessem fazer gemer. E talvez, por essas reações, o maior tivesse achado que Shion estava pronto, pois tão logo tirou seus dedos do interior do menor, sem maiores avisos, ergueu os quadris magros começou a penetrá-lo.

-Ahh! –Shion gritou em dor, sentindo como se seu corpo se partisse ante a repentina invasão.

Como reflexo, tentou mais uma vez se afastar, fugir do outro, mas as mãos de Nezumi apertavam firmemente seus quadris, as pontas dos dedos dele marcando suas nádegas em alguma espécie de desejo que o próprio moreno considerava doentio. Shion se debateu um pouco, ainda querendo se livrar, mas aquilo só fez com que Nezumi o segurasse com ainda mais força, provocando-lhe mais dor e não permitindo que se distanciasse um centímetro que fosse.

E, como se quisesse ver mais daquela dor, o moreno se forçou ainda mais a abrir o corpo do menor para si, fazendo-o gritar, marcando-o, tendo certeza de que ele jamais conseguiria esquecer de si.

Não queria que fosse daquela forma, mas, ainda assim, queria que Shion se lembrasse.

“Para sempre...”

E olhando profundamente nos olhos de Shion, Nezumi moveu-se para trás e para frente em seguida, ganhando ainda mais espaço dentro daquele corpo tão apertado e amado.

-Por favor, Nezumi! Está me machucando! –Shion exclamou em desespero e lágrimas enquanto olhava com receio para as íris sérias ainda sem brilho que o moreno ostentava. –Por favor, para... –Pediu enfim, de maneira fraca e triste.

Fraca porque sabia que não aguentaria mais aquilo. Talvez fosse apenas um molequinho medroso e ingênuo mesmo, como Nezumi sempre lhe dizia.

Triste porque, no fundo, não queria que Nezumi parasse. Por mais insuportável que fosse a dor, ele a desejava, pois era Nezumi quem a provocava. Por mais que sentisse seu corpo se rasgar graças a cada pequeno movimento, desejava aquele ato, pois aquela lhe parecia ser a única forma de os dois se tornarem um de fato.

Desejava a unidade, desejava ser de Nezumi.

Desejava.

-O que foi? Está com medo? –O maior perguntou logo após uma nova estocada, a voz tomada por uma ponta de crueldade e outra de prazer em se deixar envolver pelo calor e maciez do corpo menor, ambas características que não conseguiam sequer disfarçar seu sentimento de tristeza.

E, por não conseguir disfarçar, ele o deixava claro em mais um movimento brusco, enterrando-se completamente no delicioso e frágil corpo do menor, fazendo-o gritar novamente de pura dor.

-Não quer mais fazer sexo com o seu inimigo? –Nezumi provocou novamente, a raiva escorrendo por cada sílaba proferida, a cada movimento executado.

-Não... –Shion respondeu logo em seguida, baixo e com dificuldade, quase em meio a um novo soluço. -Eu quero me deitar com aquele que eu amo... –E tendo confessado, permitiu que seus braços enfim enlaçassem o corpo no maior, abraçando-o com força e necessidade quase inumanas enquanto se permitia chorar contra o peito dele. –Eu te amo, Nezumi...

Ao ouvir aquilo o moreno parou imediatamente de se mover.

Seus olhos arregalados externavam algo entre a surpresa e ódio que sentia de si próprio, como se só então se desse conta do crime que cometia – contra Shion e contra seus próprios sentimentos.

Saiu lentamente de dentro do menor e o abraçou de volta, puxando-o para si e levantando-o em seu colo em seguida. Encarou o chão de pedras sobre o qual deflorara quase forçadamente aquele que tanto amava, e vendo nele um vago resquício de sangue. Pela primeira vez em toda sua vida, sentiu sincera vontade de morrer.

Nezumi colocou com cuidado o corpo de Shion sobre sua cama e deu um leve beijo nos lábios dele. Ergueu-se em seguida e ficou realmente transtornado ao observar nas coxas dele discreta mancha avermelhada. Com o coração novamente ameaçando parar de bater, desejou fugir de seu crime e nunca mais encarar os olhos de Shion. Não queria acreditar que havia feito algo tão terrível com alguém que amava tanto.

Deu as costas para para o jovem de cabelos brancos e vasculhou o chão em busca de suas roupas.

Mas antes que pudesse dar qualquer passo, a mão do menor segurou seu pulso.

-Você não vai se deitar comigo? –Perguntou incerto, sua voz ainda trêmula por ação do choro, mas seu coração já um pouco mais calmo pelo singelo ato de gentileza que fora ser abraçado e carregado para a cama.

E aquele beijo, tão leve, mas tão repleto de sentimentos e significados.

“Como um pedido de desculpas...”

-Não, eu vou sair. –Nezumi respondeu. A voz grave ameaçando despencar a qualquer instante, tamanha dor que sentia em seu peito. –Acho que você aprendeu o suficiente, pode ir embora agora.

-Mas... –Shion apertou um pouco mais o pulso do outro. –Mas e você, Nezumi? –O jovem perguntou, aceitando qualquer desculpa para estender um pouco que fosse aquele último instante que teriam juntos. –Você ainda não... –Calou-se em vergonha, não conseguindo achar uma palavra para comentar o fato do moreno não ter gozado ainda.

-Eu não preciso. –O moreno disse seriamente enquanto puxava seu pulso, librando-se do toque de Shion e começando a recolher as próprias roupas.

Não se permitiu olhar para o menor uma vez que fosse.

-Mas...

-EU JÁ DISSE QUE NÃO! –Gritou aborrecido enquanto estourava o próprio punho dando um soco na parede.

-Nezumi, sua mão! –O menor levantou-se da cama rapidamente a fim de acudir o outro, mas tão logo suas mãos ameaçaram alcançar a pele de Nezumi, foram repelidas com um tapa.

-SE VOCÊ NÃO PERCEBE, EU TE MACHUQUEI, SEU IMBECIL! Eu... Eu nem mereço estar do seu lado, por que você continua insistindo nessas merdas? Por quê...? –A voz ainda irada saiu levemente trêmula, como se o choro se aproximasse perigosamente. –SE VOCÊ VAI EMBORA, POR QUE NÃO VAI DE UMA VEZ E PARA DE ME ENCHER O SACO?

O mais novo abaixou a cabeça e pensou seriamente em de fato ir embora de vez. Seria o correto a fazer dadas as circunstâncias, dado o quanto sua presença parecia perturbar o coração do outro.

Ainda assim, queria tentar.

-Me desculpa, mas eu quero, Nezumi... Eu realmente amo você, então... Por favor... –Shion pediu baixinho e enquanto abraçava por trás o moreno, permitindo que seu corpo desnudo mais uma vez se aquecer com a proximidade do moreno.

-Você está machucado.

-Eu não sou frágil, eu já aguentei dores maiores e sobrevivi... Porque você estava do meu lado...

-VOCÊ NÃO ENTENDEU AINDA!? –Perguntou repentinamente naquilo que pareceu a Shion um novo ataque de fúria, mas que na verdade só refletia o ódio que o moreno sentia de si próprio naquele instante. -Eu não quero te machucar... –Nezumi comentou baixinho em seguida, seu soluço engasgado saindo como um sussurro. -Eu nunca quis... te marcar assim... –Virou-se para encarar o menor e continuou sussurrando, seus dedos passando com leveza pelas marcas arroxeadas que havia deixando na face e no pescoço dele.

-Então... Pelo menos fique comigo, Nezumi... –O menor pediu de todo coração, e o moreno consentiu com um culpado meneio de cabeça. Os dois andaram juntos até a estreita cama com passos lentos e incertos.

Shion deitou-se primeiro, e com um olhar pediu para que Nezumi se deitasse também. O maior o fez e puxou para cima de ambos os pesados cobertores.

E em seguida, o abraçou.

Abraçou Shion com todo carinho possível, com todo cuidado, com todo arrependimento e com toda a genuína vontade de protegê-lo – do mundo e de si próprio. Beijou a testa dele e com a mão direita começou a acariciar os cabelos prateados.

E cantou.

Começou a cantar baixinho, a voz falha e repleta de dor, mas ainda assim doce e agradável de se ouvir. Tratava-se de um romântico canto de uma ópera antiga em uma língua que o menor desconhecia, mas que ainda assim conseguiu transmitir a ele todo o sentimento com o qual era entoada. Como se fosse a sua cantiga de amor um réquiem, Nezumi seguiu cantando de maneira lúngubre e afagando os brancos e macios cabelos do menor até que ambos caíssem no sono, e que secasse em sua face as discretas lágrimas das quais Shion jamais haveria de saber.

Na manhã seguinte, Shion despertou sozinho na cama, encontrando apenas um bilhete ao seu lado. Tratou de lê-lo e, sendo segurado por suas mãos trêmulas, o papel logo teve a tinta da caneta manchada pelas salgadas lágrimas do garoto.

-

“Chegando o amanhecer sombrio,
Verás o meu lugar vazio,
Que será sempre frio e quedo.
Como os outros pela suavidade,
Eu sobre a tua mocidade,
Quero reinar mais pelo medo”

Por favor, não esteja aqui quando eu voltar.

Desejo que nossos caminhos nunca mais se cruzem.

Com amor,

Nezumi

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Tufão - No.6


Oi gente, aqui vai uma pequena one-shot fluffy de No.6, meu anime favorito ever and ever.
Só porque Shion e Nezumi são muito fofos... Em breve devo terminar minha outra fanfic dles (eu travei) e traduzir mais uma fanfic (com lemon, dessa vez) da autora Triste.
Enquanto isso, vamos lutando para o fandon crescer, né?

Muito obrigada a lindíssima e fofíssima Mel Keigo que revisou a fanfic para mim e me impediu de cometer um grande atentato de gênero contra o Shion xD
OBRIGADA, Mel =*

Tufão

Seu peito se comprimia em angústia, e esta parecia aumentar ainda mais à medida que se tornava mais forte o som da chuva caindo lá fora. Mesmo debaixo da terra, o sopro violento do vento parecia ensurdecedor, tal qual o rugido dos trovões.

A ausência de qualquer janela só fazia com que sua espera se tornasse ainda mais torturante, sem qualquer previsão que pudesse acalentar o coração desesperado, e por isso os olhos de íris vermelhas não se distanciavam um segundo que fosse da porta. A ânsia fazia com que seu pé esquerdo batesse incansavelmente sobre o chão – ato este que impedia Hammlet, Cravat e Moonlit de dormirem sossegados. Eles provavelmente já sabiam que era normal seu mestre demorar às vezes, mas Shion não conseguia deixar de se preocupar com o fato de Nezumi ter saído na noite anterior e ainda não ter regressado.

Shion sentia vontade de sair e gritar –dessa vez não um simples grito de libertação e clamor pelo desconhecido, como fizera na noite que conhecera o moreno. Dessa vez sabia muito bem o que o gritaria, por qual nome clamaria.

Sabia de quem precisava, e por isso, sem mais suportar, sua mão finalmente abandonou o peito comprimido e seu corpo se ergueu dando passos acelerados na direção da porta, a qual foi rapidamente aberta, dando acesso às galeria subterrânea e em seguida ao mundo que parecia prestes a desabar lá fora.

Como que sob efeito de um tufão que destrói tudo ao redor, Shion sentiu uma torrente de sentimentos e receios a invadir sua mente enquanto, no final do horizonte, as brilhantes luzes da No.6 pareciam desvanecer por ação da chuva. Shion encarou aquelas luzes sumindo no meio da escuridão e teve medo de que Nezumi pudesse ser engolido por aquilo, algum dia. Não poderia permitir tal fato, e por isso abriu a boca para gritar, gritar tão forte quanto gritara daquela vez, e quem sabe assim fazer acontecer um novo milagre.

E como um tufão, veio tudo: lembranças e sentimentos, momentos e certezas, assim como as inseguranças e as fortes gotas de água contra sua face. Assim como o nome baixo e incerto saindo por sua boca:

-Nezumi... – Sussurrou enquanto seus olhos miravam incertos um distante vulto negro ao longe, que de alguma maneira conseguia se destacar em meio às sombras noturnas. -NEZUMI! –Gritou então, suas pernas movendo-se velozmente na direção dele. –NEZUMI! –Gritou novamente, já o alcançando, prestes a abraçá-lo, tamanha sua felicidade, mas o outro brigou antes que pudesse fazê-lo.

-O que tá fazendo aqui fora, idiota? Vai se molhar todo. –Resmungou baixo enquanto usava um dos braços para manter Shion afastado de si. –Vai logo para casa...

Shion piscou algumas vezes, não pelo efeito do vento forte e da chuva em seus olhos, mas sim pelo fato da baixa visibilidade não lhe permitir compreender bem o que fazia Nezumi andar tão vagarosamente e deter uma voz tão estranhamente carregada.

-Você está machucado, Nezumi? –Perguntou enquanto o observava com atenção. –Quer que eu te carregue?

-Cala boca, Shion... –Pediu, ou ordenou, baixo e irritado.

-Vamos, deixa eu te ajudar a andar... –O menor insistiu e Nezumi, literalmente vencido pelo cansaço, aceitou apoiar-se no ombro de Shion até que chegassem até sua casa. Mas ainda assim o rapaz de cabelos brancos não conseguiu se manter calado. –O que aconteceu, Nezumi? Onde que você se machucou? –O moreno apenas andava, tentando ignorar a voz do outro. –Está doendo muito?

-O suficiente para eu não te fazer calar a boca, sorte sua.

-Ah...

E assim o maior conseguiu alguns instantes de silêncio até que os dois adentrassem na morna segurança subterrânea.

-Quer que eu prepare um banho quente para você? - Shion perguntou tão logo a porta foi fechada.

-Você que está todo molhado, não eu. –Nezumi respondeu calmamente enquanto tirava sua capa, exibindo um rasgo em sua calça e uma grande mancha de sangue na parte externa de sua coxa esquerda.

–O que aconteceu, Nezumi? –O menor exaltou-se ao ver o ferimento, dando apenas uma olha rápida e já indo atrás do kit de primeiros socorros.

-Nada, só tentaram me assaltar. Tem comida? –Perguntou sem se importar muito enquanto olhava as panelas sobre o fogão.

-Tem, eu já te sirvo, deixa só eu tratar da sua perna antes. –Respondeu seriamente, já se direcionando a cama. –Vem logo, deixa eu ver sua perna.

Nezumi suspirou, querendo esconder que no fundo apreciava a preocupação do outro.

-Foi só um tiro.

-Só um tiro?! Onde foi? Como foi? –Perguntava angustiado enquanto começava a limpar com cuidado o ferimento.

-Não te interessa.

-Claro que interessa. Não sei se você sabe, mas eu me preocupo com você.

-Hum... –Resmungou, sentindo um pouco de dor por ação do antisséptico. –Não preciso que ninguém se preocupe comigo.

-Eu sei que não... Mas eu não consigo evitar... –Shion falou seriamente, parando o que fazia por um instante apenas para olhar profundamente nos orbes cinzentos de Nezumi. –O ferimento foi muito fundo, eu vou ter que suturar, mas não tem anestesia. –O menor constatou logo depois, voltando sua atenção ao que fazia.

-Não tem problema. –Falou tentando excluir de sua voz qualquer tom que denunciasse suas emoções ou dores. Não queria que Shion notasse. Não podia permitir que Shion notasse, e por isso guardou para si em um semblante aborrecido aquela agradável sensação de ter alguém cuidando, se importando. Gostava daquilo, mas tinha medo de se acostumar, tinha medo de perder aquilo e sentir ainda mais falta do que poderia aguentar.

Shion, todavia, parecia alheio àquilo tudo, e Nezumi, por um instante, sentiu raiva do garoto. Logo em seguida, sentiu raiva de si por permitir-se ser tão tolo, por abrir seu coração daquela maneira. Por ter deixado Shion entrar na sua vida de forma tão forte a abrupta, exatamente como o tufão de cinco anos atrás.

“Cinco anos...”

E enquanto o menor se concentrava em costurar sua coxa ele procurava em sua jaqueta por um singelo raminho de flores miúdas. As delicadas pétalas lilases haviam sofrido um pouco ao serem amassadas dentro do bolso, mas ainda assim mantiveram sua beleza simples e terna. Realmente, Shion se parecia muito com elas, e pensando nisso Nezumi chegou a deixar a expressão em seu rosto mais leve ao entregar as flores para o menor tão logo ele terminou o curativo.

-Você não lembra que dia é hoje, hum? –Perguntou sorrindo da expressão de desentendimento do outro. –Eu tinha outro presente para você, mas acabei deixando cair enquanto fugia... –Comentou um tanto sem jeito, sem ter certeza se deveria ou não dizer para Shion que o presente inicial não era seu, mas sim de sua mãe, e nisso contemplou o quão idiota fora sua ideia, e que se Shion soubesse jamais se permitiria novamente ser chamado de cabeça-de-vento por Nezumi.

Como esperava entrar e sair da No.6 calmamente carregando um bolo confeitado enquanto era alvejado por tiros? Estava realmente mudado, como a Guarda-cão havia lhe advertido há um bom tempo atrás. Sabia que essa mudança em seu coração seria a sua desgraça, mas simplesmente não via forma alguma de ir contra isso.

“Já é tarde demais...”

Suspirou pesadamente e permitiu-se deitar na cama, sem tirar os olhos da face Shion, a qual continuou com aquela expressão embasbacada de surpresa por mais alguns segundos, até se transformar em um belo sorriso, tão sincero e alegre.

-Obrigado, Nezumi. Foi o melhor presente que eu já ganhei na vida.

-Idiota! –O moreno resmungou e virou de lado mesmo sabendo que o outro provavelmente não conseguiria notar o rubor em sua face.

-É verdade, é a segunda vez que você me dá o melhor presente de aniversário. –Comentou enquanto se levantava da cama, ainda com as flores na mão. Pegou uma caneca e a encheu com água, a fim de conservar suas flores, e em seguida serviu uma tigela de sopa para Nezumi. –Fiquei com medo de que você não voltasse.

-Idiota... –Mais uma vez o maior resmungou o costumeiro xingamento antes de começar a sorver a sopa. Por algum motivo, não se sentia inspirado para proclamar as frases sarcásticas de sempre.

-Foi numa noite igualzinha a essa, né? O tufão, você machucado e com fome... –Comentou de forma um tanto vaga, seus olhos se perdendo na imagem de Nezumi, contemplando o quanto ele havia mudado naqueles cinco anos.

-Você agindo como um molequinho ingênuo...

-Você não acha que eu cresci e amadureci nesse tempo, Nezumi?

-Não o suficiente. –Respondeu com alguma rispidez, olhando de relance para os cabelos alvos do outro antes de tomar o último gole de sua sopa.

-Quando será o suficiente?

-Acho que nunca... –Disse antes de se levantar para ir lavar sua tigela, mas Shion não permitiu, tirando-a das mãos dele.

-Eu lavo amanhã, deita. Você tem que descansar.

-Você já convive comigo a tempo suficiente para saber que eu não sou frágil. –Falou com clara ponta de irritação, mas permitindo-se deitar em seguida. Estava de fato muito cansado.

-Bem, você continua me tratando como se eu fosse indefeso, deixa eu fazer isso também, pelo menos hoje, para eu me lembrar daquela noite. –Disse ainda com um sorriso sereno no rosto, já tendo deixado a tigela em um canto junto com o resto da louça suja.

-Como assim?

-Você disse que aquela noite foi como um milagre para você, não? Pois para mim também foi, de alguma forma... A minha vida mudou para sempre desde então, e eu te serei eternamente grato por isso... –Comentou, sentando-se na cama e encarando Nezumi.

-Por ter te tirado da vidinha de luxo e ignorância da No.6? –Perguntou, finalmente conseguindo colocar um pouco de cinismo na voz.

-Por ter me permitido te conhecer... –Continuou com seu sorriso sereno e ergueu sua mão para acariciar os cabelos escuros, o que chegou a provocar em Nezumi um leve sobressalto, mas o maior logo se acalmou e se permitiu receber aquela carícia, mesmo que seus instintos de sobrevivência lhe advertissem para que se afastasse.

Mas Shion tinha as mãos macias e leves, e aquilo lhe transmitia uma paz infinita.

–Você está com febre! –Comentou um tanto exaltado em preocupação, assustando Nezumi. –Deixa eu pegar remédio.

E exatamente como há cinco anos atrás, a mão de Nezumi encontrou a de Shion e a conteve. O moreno, com um sorriso quase imperceptível em seus lábios, comentou baixinho, olhando profundamente as íris vermelhas:

-Você está quente também...

Nisso os dois continuaram se olhando por alguns longos instantes, como se ambos revivessem aquele momento em que suas vidas se cruzaram de maneira irreversível. Ali, sentindo o calor um do outro, ambos temeram por uma possível separação, pois sabiam que não conseguiriam mais viver plenamente sem a confortante sensação de aconchego que recebiam um do outro.

Estavam tão próximos e envoltos naquele sentimento que suas faces se aproximaram sem que notassem, ao ponto de respirarem o mesmo ar.

-Você é realmente problemático, Shion... –Nezumi achou melhor interromper aquele momento. Não queria admitir, mas mesmo tendo se entregado àquele sentimento havia um bom tempo, ainda temia as consequências.

-Por quê?

-Suas roupas estão molhadas, vai se resfriar.

Shion sorriu ante aquela resposta, permitindo enfim que suas mãos desfizessem o enlace.

Sem muita cerimônia tirou a camisa e as calças que se encontravam úmidas em função da chuva, ficando apenas com sua roupa de baixo. O moreno virou-se de costas para o jovem de cabelos brancos, querendo manter-se indiferente, mas não conseguiu ao sentir o menor deitando-se ao seu lado, já buscando por seus cobertores.

-O que você pensa que está fazendo? –Perguntou seriamente, sem se virar.

-Deixa eu dormir com você hoje? –Shion pediu baixinho, sua mão novamente buscando o calor da mão de Nezumi, seu peito se encostando às costas dele e seu olfato se perdendo no aroma que se desprendia do pescoço dele.

-Por que você quer?

-Foi assim que nós dormimos naquela noite. –O menor disse já fechando os olhos, abraçando o corpo do moreno e se lembrando de que há exatos cinco anos Nezumi era tão magro e frágil que podia facilmente ser envolto por seus braços.

-Nezumi, quando é o seu aniversário? –Shion perguntou após algum tempo, a voz embargada em sonolência.

-Não sei.

-Como assim não sabe?

-Nunca me disseram... -Falou fracamente, já sentindo o sono tomar conta do seu corpo também, juntamente à uma estranha sensação de conforto e segurança.

Antes de cair no sono, todavia, o moreno buscou na mente o calor daquelas lembranças, e nele teve a certeza de que passara a considerar seu aniversário aquela mesma noite marcada pelo forte tufão.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Tradução - Análise, por Triste


Boa noite! Quem me acompanha pelo Twitter já deve estar sabendo do meu atual nível de fanatismo por um anime chamado No.6 - um shonen-ai lindíssimo do qual virei fã instantaneamente, e não para do comentar, e raclamar pela demora, e pedir fanfics e tudo e tals.
Depois de ter influenciado minha Seme-sama, Sue Schiffer a escrever uma linda fanfic com lemon da série, e a maravilhosa Jack Sampaio ter feito uma review do anime com direito a um poema fofíssimo e ainda prometido fanfic, assim como as lindas @ e também prometeram fanfics, é a minha hora de ajudar o fandon brasileiro dessa linda série a crescer XD
Como as minhas fanfics ainda estão engatadas por falta de inspiração, eu adiando para vocês uma humilde tradução que fiz que uma pequena one-shot muito meiga da autora Triste.
Vocês não imaginam a minha felicidade quando eu finalmente encontrei um MONTE de fanfics yaoi lindas desse anime! Comecei a devorá-las, e não me aguentando, pedi autorização à autora para traduzir =D
Ela deixou na hora, por isso, como está meio corrido meu tempo, comecei por uma pequenina, mas assim que puder traduzo uma super hot com lemon que li hoje! XD
Bem, deixa eu parar de enrolação! Apenas deixa eu colocar mais uma vez o perfil dela, para vocês visitarem e lerem mais fics, se souberem ing
lês:
Não esqueçam de comentar! Tudo que vocês comentarem aqui eu traduzirei para ela, ok?
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Título original: Analysis


Autora: Triste
Fandom: No. 6
Casal: Nezumi/Shion
Censura: PG-13
Status: Completo

~~

Shion estava no exato meio-termo entre o sono e o acordado quando escutou o som dos passos de Nezumi. O colchão afundou um pouco ao ter o peso do moreno sentando na beira da cama e Shion abriu seus olhos a tempo de vê-lo debruçando-se sobre si, deixando suas faces próximas. Seus cabelos ainda molhados graças ao banho que abara de tomar e sua pele ainda emanava um fraco aroma de sabonete, mas não era nisso que Shion se concentrava no momento.

“Nezumi,” Ele gemeu, sentindo-se firmemente preso à cama. “você é pesado, sai de cima.”

“Faça-me sair.” Nezumi desafiou, uma nota de deboche se fazendo em sua voz.

Era mais fácil falar do que fazer, e por isso Shion o empurrou pelos ombros, mas ele sequer se moveu.

Fazendo uma pequena pausa a fim de pesar suas opções, Shion se lembrou da primeira vez que eles ficaram deitados daquela maneira. Nezumi era tão leve e frágil... mas quatro anos se passaram e a situação se invertera. Agora Shion que era o pequeno magricela enquanto Nezumi se transformara em um belo e firme amontoado de músculos muito bem desenvolvidos.

Mais importante, Shion pensou enquanto se contorcia abaixo dele, estava ficando difícil de respirar.

“Nezumi,” ele reclamou, batendo fracamente com seus punhos contra as costas do outro. “’Bora, me deixa…” Pediu novamente, mas Nezumi o ignorou e o obrigou a mudar de estratégia. Ele parou de se debater e, com um pouco de esforço, conseguiu colocar uma coxa sobre os quadris de Nezumi. Sua intenção era passar a guarda dele e inverter as posições, mas aquilo não funcionou também.

Então, com os olhos arregalados, Shion notou algo novo.

“Er–” Ele murmurou se sentindo incrivelmente sem jeito e envergonhado. Limpando um pouco a garganta, ele tentou concluir: “Nezumi, você está, hum...”

Nezumi suspirou pesadamente contra o pescoço dele: “Você é realmente um grande cabeça de vento. Como esperava que eu reagisse depois de você se agitar tanto debaixo de mim?”

“Hum,” Shion gaguejou, sua face quente até demais. “Eu, hum... Bem…”

Levantando um pouco o tronco e apoiando-se em seus antebraços, Nezumi encarou Shion em total seriedade para julgar como o menor reagiria ao seu seguinte ato. Colocando-se de forma ainda mais imponente entre as pernas dele, separou-as ainda mais e encaixou seu baixo-ventre entre elas, o que deixou Shion ainda mais sem ar do que já estava quando tinha Nezumi apenas o ‘esmagando’.

Logo o menor notou que sua respiração e seu pulso haviam acelerado, e que suor começava a brotar por cada poro da sua pele, tudo isso um sinal de excitação sexual.

“Ficar calmo e analisar a situação, huh?” Nezumi provocou.

Shion não podia evitar, era aquilo o que ele fazia sempre.

“E que tal isso?”

Uma corrente elétrica percorreu o corpo de Shion quando Nezumi começou a empurrar os quadris contra sua pélvis, fazendo-o tremer e gemer ante a sensação. Como aparentemente não seria suficiente para o maior apenas roubar sua habilidade de respirar adequadamente, Nezumi parecia fazer questão de tirar de Shion também a habilidade de raciocinar. Sua mente se encontrava nebulosa, mas seus sentindos pareciam mais animados do que nunca. Os sentidos, e sons, e cheiros… Tudo aquilo parecia ser muito mais importante então. Era estranho, era diferente.

Era excitante.

“O que você está fazendo comigo?” Ele sussurrou enquanto encarava Nezumi com uma mistura de confusão e admiração.

“Não é óbvio?” Os quadris de Nezumi moveram-se novamente. “Eu estou te seduzindo, seu idiota.”

“Oh.” Shion riu de maneira trêmula. “Seja o que for, é muito efetivo.”

Nezumi revirou seus olhos com alguma afetuosidade implícita. “Apenas se cale e desligue seu cérebro por um tempo. Eu vou te ensinar uma coisa que você jamais aprenderia com qualquer livro de biologia.”

Meio que brincando, meio que sério, Shion respondeu com um humilde “Por favor, ensine-me.”

“Não se preocupe,” Nezumi disse com um sorriso perverso em seus lábios. “Eu ensinarei.”

-Fim-

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Então, o que acharam? Curtinha mas fofa, não? Por favor, apoiem a autora e comentem!

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Thank you very much, Triste-san, for alowing me to translate and post your fanfiction here! Thank you so much for your hard and lovelly work with this fandon! You made my day really happier!

sábado, 6 de agosto de 2011

Escritos de Jack Sampaio: Poemas em homenagem ao Trilo do diabo de Samila La...

Escritos de Jack Sampaio: Poemas em homenagem ao Trilo do Diabo:
Loucura (Tartini e Belial)
Giuseppe Tartini olhava assombrado
Loucura... Ah, a loucura!
Aquela bela senhora nublava sua mente
Convidando-o a mergulhar no pecado
Enquanto os ouvidos apurados ouviam as tristes notas
A alma pela maravilhosa melodia
Preço justo, muito justo
E Belial, altivo, dedilhava as finas cordas
Mãos ágeis para tocar, sejam violinos ou corpos
O prazer, a dor e a obra de arte
A música mais luxuriante surgia a cada corda
A cada suspiro
A cada lágrima
Pizzicato
Ele jamais voltará
Com sordini
Chora lágrimas de sangue, belas como o mais precioso diamante rubro
Senza sordini
Os toques dele, os beijos dele... Perdido
Sul ponticello
Onde andarás minha concubina?
Col legno
As memórias o atormentavam, como um castigo eterno
Danação da alma
Vibrato
Ele se foi...
O próximo também perecerá
A loucura engloba ambos
Aquele que almeja a melodia
Aquele que almeja o seu amor maior
E Belial, ser imortal, continuará a ver aqueles que ama irem cedo demais
De novo...
E de novo...

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Lindo, não? Esse é mais um dos fabulosos poemas da incrível Jack Sampaio inspirados no Belial! Dessa vez, em Trilo do Diabo, na companhia do orgulhosíssimo violinista Giuseppe Tartini!
Vão lá no blog dela e vejam mais dois lindos poemas também inspirados nesta história! Não esqueçam de comentar no blog dela também!
Beijinhos!