terça-feira, 3 de maio de 2011

Inferno - Togainu no Chi


Eu gosto dele.

Acho que o principal motivo é o seu sorriso: encanta-me a forma insana como ele move seus lábios e exibe a língua a cara golpe certeiro dado, a cada gota de sangue que voa e tinge o ar.
Mas não posso descartar a hipótese de que seja aquela voz, tão grave e pesada que gera grunhidos de satisfação a cada perseguição bem executada; uma voz que aumenta em volume e excitação a cada pedaço de carne que se despedaça sob o efeito de suas garras metálicas.
Quem sabe então o seu jeito, ou mais precisamente a falta do mesmo. A infantilidade e fragilidade de uma mente insana, ambas expressas a cada pergunta idiota, a cada ação impensada. O jeito desleixado de andar, os cabelos sempre desgrenhados, os movimentos rudes embora precisos; a boca que faz questão de sempre provar do sangue imundo que lhe escorre pelas mãos.
Acho que é por isso tudo que eu gosto dele, não sei, não tenho certeza. Tudo que sei é que, apesar de tudo eu tenho um bom motivo para aturar as frescuras do Arbitro: apenas para poder permanecer ao lado dele.
Gosto de vê-lo matando, gosto de ver seu sadismo em deixar a vítima correr antes de capturá-la, a agilidade com a qual ele vai atrás deles. Gosto da falta de misericórdia que ignora até mesmo a existência de um Deus; da falta de respeito pela impura e nojenta vida humana. Gosto dos olhos quase nunca aparentes, sempre tomados por um furioso brilho inocente e assassino. A pele alva coberta de tatuagens e cicatrizes, os fios de cabelo louros e compridos, tantas vezes manchados por um vermelho viscoso.
Gosto de quando ele parece feliz quando ele se encontra em meio a vísceras.
Gosto quando ele me irrita e assim me fornece uma boa desculpa para espancá-lo; quando ele sai de si, perde sua tão inconstante e frágil consciência. Quando ele grita, se debate e esperneia; quando ele acorda de madrugada chorando, implorando para que sua mãe não o mate. Quando ele me dá a oportunidade de sentir o gosto das suas lágrimas; quando tenho que abraçá-lo, apertá-lo para impedir que se bata demais, dar-lhe dois tapas bem dados na cara, dizer para que acorde, dizer que estou lá com ele, que vou protegê-lo.
Gosto de sentir seus braços se agarrando ao meu corpo com desespero, como se eu fosse fugir. Gosto dele pedindo para eu comê-lo, e gosto de fazê-lo com força, com toda a violência que eu sei que ele adora. Gosto de dizer que o amo, dizer que ele é meu. Fodê-lo com ainda mais força, até que ele desmaie e eu tenha que acordá-lo com mais outros tapas na cara. Tê-lo exausto em meus braços, deitado na minha cama, suas pernas compridas ainda me envolvendo; e o seu sorriso insano me agraciando enquanto eu lhe pergunto da maneira mais sarcástica que posso, escondendo minha tola preocupação:
-Doeu muito, Gunzi?
Gosto do seu riso, da sua loucura, da sua capacidade de sempre ignorar as dores e agir como se nada estivesse acontecendo.
-Sabe aquele cara que a gente matou hoje de manhã, Velhote?
-O da plaqueta falsificada? –Eu lhe perguntei com o descaso merecido pelo tema.
-É... esse mesmo...
-Que que tem ele?
-Ele disse que eu era um demônio, que eu ia pro inferno...
-E daí?
-E daí que eu não sei o que é demônio.
-Demônio é um cara muito mau que mata as pessoas.
-Ahh... –Ele pareceu surpreendido, como se aquela fosse uma grande descoberta. -Mas eu não quero ir pro inferno, Kiriwar.
-Sério? Acho que é meio tarde demais pra você querer se redimir agora.
-Hã... –Ele murmurou não parecendo muito feliz. –Então eu não vou poder mais ficar com você, Velhote?
-Ah, é isso que você tem medo? Não, não te preocupa. Eu vou pro inferno com você.
-Sério? –Ele se animou, reavendo o encantador sorriso que praticamente me obrigou a beijá-lo os lábios.
-Sério, afinal eu sou um demônio também, não sou?
-É... Você é mau... Vive batendo na minha cabeça...
-É, sou.
Gosto das nossas conversas tolas e sem sentido. Gosto também dos nossos momentos de silêncio, e da maneira irritante como ele os interrompe.
-Hey, velhote.
-Que é...? –Eu lhe pergunto enquanto luto contra a sonolência.
-Esse mesmo cara disse que eu era um psicopata.
-Hum...
-Você acha que eu sou um psicopata, Kiriwar?
-Nãoooo...
-Não?
-Não... Você é só um retardado...
-Ah... –Gosto quando ele concorda comigo, como se eu fosse o detentor de todo o conhecimento do universo.
Gosto de poder dormir com ele, ter certeza de que ele será o protagonista dos meus sonhos - os mais doces e os mais perversos. Ter a certeza de que ele vai hora ou outra atrapalhar meu sono.
-Velhote...?
-Hum...
-Você é retardado também?
-Devo ser, pra te aturar... Só pode...

2 comentários:

  1. Oh meu Deus, amei *-*
    Você escreve muito bem e o Gunji é o meu personagem favorito de Togainu no Chi, ficou perfeito!
    Só recomendo você não escrever mais em preto num fundo cinza escuro =P

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  2. @Nana Ah, obrigada por me chamar atenção, não tinha visto esse erro de formatação! Vou ajeitar agora mesmo, pêra... Opa,. Ajeitei XD eu sou muito desatenta, god! Mas sim, olha, o Gunzi também é meu favorito ever *0* Um fofo ele, não??

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