domingo, 22 de maio de 2011

3ª chance de ganhar um exemplar de A Lenda de Fausto!

Olá gente! Boas novas: promoção fresquinha para ganhar mais um exemplar de A lenda de Fausto, desta vez em parceria com o Blyme, o maior site especializado em yaoi do Brasil!
Vamos, participem! As instruções etão lá na pagina do Blyme

Beijinhos e boa sorte!!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Titânia

Conto escrito para a antologia Cassandra, uma iniciativa dos escritores do O Nerd Escritor que formou a Roda de Escritores.

Cassandra é a Musa que vive em cada escritor, e esta aqui é uma das minhas Cassandras.

Agradeço à Lara Utzig por ter me ajudado revisando este conto! Obrigada mesmo, poetiza dos cabelos vermelhos!

Titânia

Ela aparece para mim em cada noite sombria, pouco depois dos primeiros goles. Tal qual um espectro, reflexo de meus desejos e necessidades, a presença daquela Filha de Danann mostra-se como algo além da realidade e da compreensão. Vejo-a tão longe, tão solitária quanto eu, mas de alguma maneira tão completa e tão plena! Ah, Titânia! Eterna bela musa coberta em véus de mistério que surge em meus mais desesperados momentos de devaneio.

Sempre.

Sempre da maneira mais peculiar e ao mesmo tempo familiar, possível e impossível. Exatamente como um pensamento repentino e ilógico a passear por minha cabeça; como aquele sussurro diabólico que vem de lugar algum e enche a mente do escritor de histórias a serem contadas e versos a serem cantados. Geralmente é nessa confusa epifania de criação e perdição que meus olhos cruzam com os dela.

Repentinamente.

Eu tremo.

Sinto o agradável e aterrador arrepio percorrendo minha espinha, aquele mesmo que anuncia a iminência de grandes e perigosos acontecimentos. Miro-a com cuidado, de relance a princípio, pois sou tolo e apaixonado. Tímido, preocupado, com receio de que caso eu a olhe por tempo demais a magia se desfaça e ela desapareça para sempre. E por isso, com cautela extrema, continuo por algum tempo mais, bebo mais alguns goles em busca da coragem necessária e por fim a miro nos olhos.

Verdes e puros.

Os olhos que de alguma maneira convidam ao pecado, ao hedonismo, à bebida que tenho diante de mim. Tão lívidos em seu tom, mas tão entorpecentes quanto o álcool e mais doces que o açúcar banhado pelo láudano. Viro o restante do meu copo e contemplo a infinitude destes olhos que possuem o poder de me fazer delirar, viajar, entrar nos deslumbrantes paraísos só visualizados através da imaginação, da arte e da insanidade.

Olhos que possuem também o poder de me matar.

E que me matam a cada segundo que passo olhando-os, perdendo-me neles, caindo nos verdes abismos de sua alma e de seus venenos. E que me fazem quase chorar de emoção e pular de alegria quando enfim retribuem ao meu desajeitado flerte e vem mais para perto de mim.

É aí que ela anda na minha direção. Muito embora observando-a, jamais poder-se-ia inquirir se ela de fato anda, uma vez que fadas não foram criadas em toda graça natural para andarem sobre a Terra, mas sim para serem sopradas pela brisa calma, e quando quisessem, correrem com seus pés descalços sobre as asas do vento. Pois ela voa mesmo quando anda, com a graça desajeitada dos pássaros que pousam ao chão, com o flutuar rente das grandes e invisíveis coloridas asas de fada.

E quando já se encontra bem ao meu lado, ela sorri.

Sorri seu sorriso suave e malvado, típico dos lábios pequenos e dos anjos caídos. Forma nas bochechas graciosas covinhas, como se nelas houvesse alguma pura inocência contendo a boca perversa da qual eu tanto desejo experimentar. Aquele sorriso feito de poder, que me faz desejar beber mais e mais, e beber diretamente dos lábios pálidos enquanto toco a brilhante pele pálida e miro-lhe atentamente os olhos pálidos... Pois pálida ela é toda.

Exceto pelos cabelos.

Vermelhos.

Suas encantadoras, longas e volumosas madeixas, enroladas em um tom que queima a carne, o olhar e o pensamento. E queima com tanto ardor! Queima mais do que as labaredas infernais queimam os pecados dos impuros, mais do que os desejos secretos fazem pulsar e arder o baixo ventre! Pois estes cachos macios e divinamente moldados me causam frêmitos de insensatez aliados a compreensíveis momentos de loucura e agonia.

E minhas mãos tremem em necessidade, erguem-se vagarosamente, tocam uma mecha enfim.

E neste ato, tão simples e tolo, enche-se o recinto do perfume que se desprende de seus cabelos. O aroma da sálvia e da losna, e de qualquer outra erva que tenha unidos o poder de perfumar e drogar, iludir os sentidos e criar visões – fantasmagóricas, oníricas, eróticas, infernais e surreais.

Pois quando sinto o forte e misterioso perfume adentrando minha alma através do parvo sentido que é o olfato, compreendo como se eleva a percepção, como se amplia a imaginação e como me corroem os medos. Tal qual um paranóico, olho ao meu redor tentando reconhecer como real o nosso cenário, e assim talvez encontrar algum alívio na certeza de que posso tê-la em qualquer lugar, e não apenas em minhas alucinações.

Faço isso porque sou inútil e não consigo olhar para meu interior, pois se o fizesse, vê-la-ia lá, dentro de mim, agarrada como víbora com a presas firmes em meu coração.

Pois quando enrolo em meus dedos a maciez daqueles cabelos, enrolo-me todo nas cruéis chamas punitivas que combatem meus audazes e pouco castos pensamentos acerca da imaculada rainha pálida. Mas, mais do que queimar severos, aqueles cabelos acolhem de alguma maneira piedosa, doce e cálida as mãos impuras que se encostam à eterna donzela. Seus cabelos me redimem, confortam-me e me libertam de toda culpa e sofrimento, mesmo eu detendo a mais pecadora das almas.

Sendo os ruivos cachos as chamas do meu perdão, são também os carrascos de minha punição. E por mais doce que seja sua textura – porque tão doce quanto, minha rainha é maligna e perigosa – envolvem-me sempre em sua contrição.

Pois quando vejo aquele sorriso em um perverso intento sedutor mesclado ao sutil deboche por minha ridícula falta de jeito, imagino ser aquela fada um demônio. Não por sua maldade, não pela dor fina que causa em meu coração, mas sim por sua capacidade em me tentar, e me fazer desejar o pecado. Apenas de ver aquele sorriso provo de seus lábios sem receio, afogo-me em seus beijos e me entrego à luxúria de minhas mais insensatas fantasias.

E devorando em pensamento o sorriso dos lábios pálidos, juro: ouço no silêncio a lânguida voz da virgem clamando por mim! Apenas no ato de contemplá-la, torno-me o amante de minha rainha e a defloro por noites e noites seguidas.

Pois quando vem a minha direção, vejo-me logo perdido em um sonho sem fim. O sonho povoado pelos mais encantadores e admiráveis seres. Todos sílfides como a musa, habitantes de um mundo feito de alegria infinita, que obriga todas a cantarem e dançarem e celebrarem a si mesmos e à natureza. O maravilho reino de Arcádia, onde árvores dão frutos eternamente e flores jamais murcham. E nunca se esvai a beleza, mantida pelas fontes de vinho e pelos fios prateados de Lua que banham a todos sem parar.

Sendo levado por seu flutuar divino feito de ar, inspiro seu andar e suspiro seus movimentos. Passo a viver dela, e nas velozes asas do vento, chegamos juntos ao Mundo dos Sonhos para reinar eternamente.

Pois quando olho nos seus olhos, aceito minha sina. Perco-me, e tal qual perco minha alma, pois bebo do doce veneno de vaidade e orgulho, entrego-me por inteiro e pulo em seus abismos. Deixo de ser eu, deixo de ser meu. Passo a ser dela, da rainha do infinito e da minha inspiração. Crio, crio, crio! Tal qual um deus, faço universos e pessoas, e destruo-os a meu bel-prazer. Escrevo e declamo, e proclamo o destino.

E faço.

E morro.

Morro, pois depois de tudo isso, como a cada amanhecer, minha Titânia some.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Promoção #2! Nova chance de ganhar um exemplar de A Lenda de Fausto!


Que tal mais uma chance de ganhar um exemplar de A Lenda de Fausto? Autografado?

Em parceria com o Papo na Estante (o melhor podcast de literatura ever), estarei sorteando mais um exemplar!! É só clicar AQUI e você será encaminhado para a página onde você pode baixar o novo episódio, e também tem as instruções de como concorrer à promoção!


Ps: Coloquei essa foto do lançamento na qual o Jadhiel está com uma cara muito engraçada porque estou com raiva dele U_U

terça-feira, 3 de maio de 2011

Inferno - Togainu no Chi


Eu gosto dele.

Acho que o principal motivo é o seu sorriso: encanta-me a forma insana como ele move seus lábios e exibe a língua a cara golpe certeiro dado, a cada gota de sangue que voa e tinge o ar.
Mas não posso descartar a hipótese de que seja aquela voz, tão grave e pesada que gera grunhidos de satisfação a cada perseguição bem executada; uma voz que aumenta em volume e excitação a cada pedaço de carne que se despedaça sob o efeito de suas garras metálicas.
Quem sabe então o seu jeito, ou mais precisamente a falta do mesmo. A infantilidade e fragilidade de uma mente insana, ambas expressas a cada pergunta idiota, a cada ação impensada. O jeito desleixado de andar, os cabelos sempre desgrenhados, os movimentos rudes embora precisos; a boca que faz questão de sempre provar do sangue imundo que lhe escorre pelas mãos.
Acho que é por isso tudo que eu gosto dele, não sei, não tenho certeza. Tudo que sei é que, apesar de tudo eu tenho um bom motivo para aturar as frescuras do Arbitro: apenas para poder permanecer ao lado dele.
Gosto de vê-lo matando, gosto de ver seu sadismo em deixar a vítima correr antes de capturá-la, a agilidade com a qual ele vai atrás deles. Gosto da falta de misericórdia que ignora até mesmo a existência de um Deus; da falta de respeito pela impura e nojenta vida humana. Gosto dos olhos quase nunca aparentes, sempre tomados por um furioso brilho inocente e assassino. A pele alva coberta de tatuagens e cicatrizes, os fios de cabelo louros e compridos, tantas vezes manchados por um vermelho viscoso.
Gosto de quando ele parece feliz quando ele se encontra em meio a vísceras.
Gosto quando ele me irrita e assim me fornece uma boa desculpa para espancá-lo; quando ele sai de si, perde sua tão inconstante e frágil consciência. Quando ele grita, se debate e esperneia; quando ele acorda de madrugada chorando, implorando para que sua mãe não o mate. Quando ele me dá a oportunidade de sentir o gosto das suas lágrimas; quando tenho que abraçá-lo, apertá-lo para impedir que se bata demais, dar-lhe dois tapas bem dados na cara, dizer para que acorde, dizer que estou lá com ele, que vou protegê-lo.
Gosto de sentir seus braços se agarrando ao meu corpo com desespero, como se eu fosse fugir. Gosto dele pedindo para eu comê-lo, e gosto de fazê-lo com força, com toda a violência que eu sei que ele adora. Gosto de dizer que o amo, dizer que ele é meu. Fodê-lo com ainda mais força, até que ele desmaie e eu tenha que acordá-lo com mais outros tapas na cara. Tê-lo exausto em meus braços, deitado na minha cama, suas pernas compridas ainda me envolvendo; e o seu sorriso insano me agraciando enquanto eu lhe pergunto da maneira mais sarcástica que posso, escondendo minha tola preocupação:
-Doeu muito, Gunzi?
Gosto do seu riso, da sua loucura, da sua capacidade de sempre ignorar as dores e agir como se nada estivesse acontecendo.
-Sabe aquele cara que a gente matou hoje de manhã, Velhote?
-O da plaqueta falsificada? –Eu lhe perguntei com o descaso merecido pelo tema.
-É... esse mesmo...
-Que que tem ele?
-Ele disse que eu era um demônio, que eu ia pro inferno...
-E daí?
-E daí que eu não sei o que é demônio.
-Demônio é um cara muito mau que mata as pessoas.
-Ahh... –Ele pareceu surpreendido, como se aquela fosse uma grande descoberta. -Mas eu não quero ir pro inferno, Kiriwar.
-Sério? Acho que é meio tarde demais pra você querer se redimir agora.
-Hã... –Ele murmurou não parecendo muito feliz. –Então eu não vou poder mais ficar com você, Velhote?
-Ah, é isso que você tem medo? Não, não te preocupa. Eu vou pro inferno com você.
-Sério? –Ele se animou, reavendo o encantador sorriso que praticamente me obrigou a beijá-lo os lábios.
-Sério, afinal eu sou um demônio também, não sou?
-É... Você é mau... Vive batendo na minha cabeça...
-É, sou.
Gosto das nossas conversas tolas e sem sentido. Gosto também dos nossos momentos de silêncio, e da maneira irritante como ele os interrompe.
-Hey, velhote.
-Que é...? –Eu lhe pergunto enquanto luto contra a sonolência.
-Esse mesmo cara disse que eu era um psicopata.
-Hum...
-Você acha que eu sou um psicopata, Kiriwar?
-Nãoooo...
-Não?
-Não... Você é só um retardado...
-Ah... –Gosto quando ele concorda comigo, como se eu fosse o detentor de todo o conhecimento do universo.
Gosto de poder dormir com ele, ter certeza de que ele será o protagonista dos meus sonhos - os mais doces e os mais perversos. Ter a certeza de que ele vai hora ou outra atrapalhar meu sono.
-Velhote...?
-Hum...
-Você é retardado também?
-Devo ser, pra te aturar... Só pode...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

The Angel

Essa é a tradução para inglês que eu fiz do meu conto O Anjo para uma amiga da Malásia que se interessou em lê-lo.

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I made this translation for a malaysian friend of mine that is a total yaoi freak (And everybody loves her for being like this)... Yes, it's for you Hazel William!! (@HazelWillz)

Hope she enjoys this little mix of horror and yaoi. (Despite I think my writing style - full of repetitions and alliterations - doesn't go well with English. =/)

Kisses!

(And if anyone sees any mistake, please tell me! It has been very long since I studied English...)


The Angel


How could it be possible? How could I be capable of not falling in love for such an angel? How, when he was the perfect representation of everything I wanted..? He was my pure desire, for myself and for the world.

I meet him in the most possible appropriate place: suburb, dirty alley, stinky and noiseless. Something like a graceful decaying frame for the terrifying painting of our city, of our lives. The strong smell of flesh and putridity, the flying insects buzz, the entrails all over the floor, spread all over the dead end street like beautiful crimson flowers in a splendid field. And to make things even more astonishing, his crazy smile, displaying the shameless tongue, licking his own lips with ease.

A hand holding an old and rusty knife, the other attached to the hair of a severed head that had once belonged to a man. His common clothes stained and ruined, his blond hair tousled and clammy by some red viscous liquid.

And as the result of a dream, in the background there was a great pair of wings, beautifully painted, all rouge on the wall.

I immediately got passionate for that vision, for that utopia of correction, of revenge against an infested world, deprived of any good. So I found myself evolved in magic and delight, so deeply that the fear wasn’t able to come near me. Why should I fear, if what I witnessed at that time, unlike what the newspapers would come to notice, was not a murder, but the ultimate proof that God existed?

And so did His angels...

An angel walking slow and wobbly – so typical of those accustomed to flying, that walk only on a whim or for some important mission.

An angel of strong blue eyes, lovely and pure.

And lost.

He walked up to me, smiling with eyes full of sorrow and pain. An angel so wrong, foolish enough to let his sacred feet step on the polluted land of men. Crazy enough to allow the blood of filthy sinners to spurt and blemish his skin, smudge his soul.

-Won’t you get away from me? -He asked after a while in a strange voice, as if it was full of surprise or fear. Low, serious, profound and hollow like the voice of a perfect judge.

More steps, so slow; strong and soft at the same time... The bloody blade against my throat so, his dirty fingers in my face ... My body so tense while my heart got more and more accelerated with emotion and some trepidation. My hands were trembling in heretic eagerness to feel him, even though I knew that was wrong.

Even though I knew angels should not be touched by humans...

But how to resist when it was seized by a passion so sudden and a necessity so cruel?

I hugged him showing all my conflicting feelings and despair. My skin was cut, but only slightly since he just let his hands go down, so the knife fell in a tantalizing tingle. He did nothing, asked nothing. Just blessed me with that moment of silence and communion.

And then he turned away with the silent flapping of his invisible wings. Disappeared from my vision and made me fall into despair.

I spent the rest of the week searching for him in the sky without success. I found him sometimes in silly and blasphemous headlines that insisted on calling him "The Devil". Two weeks passed, three acts of divine justice were done. The scene, always the same: dirty alleys, guts on the floor and wing on the walls.

I needed to search for him harder, so my gaze sank from the heavens into the sewers. I walked each lane of the city every night until morning. I could meet sometimes with nothing, sometimes with cats, often with beggars and prostitutes, always with garbage, twice with corpses thrown into a crimson backdrop.

Once with him.

In this glorious night I could finally see each detail of his actions; I could actually feel that were my hands holding the dull knife that severed the flesh with great difficulty and repeated strokes. I could feel my own skin being washed by the fetid heat of that sinner’s blood. It was my pleasure all over the blue eyes, it was my will moving the big hands of the angel. It was my desire that caused his fingers to go under, scupper into the viscera and bowels, bring them out with rejoicing!

Ah... It was my own moan of satisfaction being voiced by sensual lips that I wanted so much upon mine.

So beautiful and pure, exactly like the first time we met, he looked at me with his icy crystal eyes as soon as he ended what he was doing. His hands still soaked in blood, his mouth exposing his tongue in some kind of lust. The slow pace, the dirty hair, the soiled clothes. His smile and his laugh.

His divinity.

Everything, in my direction.

Everything, so slowly.

The knife held so firmly, the splendid gait, the smile of a crazy angel. The hand, red and tottering, coming toward my neck.

And the blue orbs clouding into serene tears.

And my arms around him: a hug of love and adoration, a blasphemy of mine for wanting to touch what was only God’s privilege. Our love was wrong and impossible, I knew, he knew as well. And that's why his tears fell on my shoulders when the only movement of his body was to tremble.

Our magic and profane moment, my feelings of consternation and adoration together. His teeth gently against my neck, his tongue sliding through the mark of our first meeting – the proof that I belonged to him.

My pleasure was expressed in a groan, and then, his eyes turned to me with surprise and confusion. More lost than ever, more desperate than it might be possible.

He was so fragile when I closed my eyes and kissed his lips...

The dirty lips, fouled by the same bitter blood that flowed through his hands. I could taste it on my mouth, also I could savor the almost immoral tongue that excited me... Ah, the lewd tongue that moved so delightful that made me doubt that I was really experiencing such delight!

He embraced me and, with his rude and strong movements, pressed me against the walls of our scenario. He kissed me and allowed me to hear his voice again, so serious and low, almost taking the form of grunts of satisfaction. A voice that rose in volume and excitement with each new bite he gave me. His breath became more than heavy as he squeezed my throat.

I felt his erection against me, I felt him hugging my body and controlling me. His mouth on my shoulders, his voice on my ears. His cursed deep voice teasing, saying he wanted me. His teeth arousing me without any compassion, chilling my skin, causing me unbearable pleasure...

And his tongue... And his hands...

Rough and red hands that messed me, pulled my hair, tore my clothes apart. My will, my need to feel it, to have him as part of me, as if we were one. My happiness in having the knife under my skin, into my flesh, ripping my muscles.

And his eyes still so pure, so clear and blue. So lost in love and care.

His eyes that cried as his teeth and his knife tore everything in me.

My blood on the wall.

My happiness at finally becoming the angel's wings.